Lançado há 11 anos, este jogo tem missões secundárias melhores do que jogos de 2026

11 de Out de 2026 - 11:10
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Lançado há 11 anos, este jogo tem missões secundárias melhores do que jogos de 2026

Onze anos após o seu lançamento, um RPG continua dando uma aula para os mundos abertos modernos. Afinal, apesar de universos cada vez mais vastos e sistemas cada vez mais complexos, são raros os títulos capazes de transformar uma simples missão secundária em uma história que ainda compartilhamos anos depois.

Onze anos, no universo dos videogames, é uma eternidade. Desde 2015, os mundos abertos ficaram maiores, mais impressionantes visualmente e repletos de atividades. Mesmo assim, após explorar lançamentos de 2026 como e , os jogadores podem chegar a conclusão: quando o assunto é despertar a vontade genuína de abandonar a campanha principal para checar o que há no fim de uma trilha, continua praticamente imbatível. E isso não é apenas papo de nostálgico.

Em The Witcher 3, o secundário nunca foi mero detalhe

No quesito técnico, a obra da CD Projekt RED naturalmente sente o peso dos anos diante das produções atuais. Ainda assim, quando um ponto de exclamação surge no minimapa, a curiosidade fala mais alto. Não necessariamente pela promessa de uma espada melhor ou por alguns pontos de experiência, mas sim porque uma história envolvente de verdade pode estar à espreita. Lançado em maio de 2015, The Witcher 3 já tem mais de uma década de estrada, mas, nesse quesito específico, os RPGs modernos parecem ainda correr atrás do seu rastro.

Uma missão secundária nunca deveria parecer uma obrigação

Essa lacuna fica evidente logo após encarar Crimson Desert. O cenário do jogo é gigantesco, estonteante e abarrotado de interações. Porém, boa parte das missões ainda se ancora em tarefas bastante burocráticas: perseguir um NPC, coletar certo recurso ou limpar um acampamento de inimigos genéricos. Mesmo dedicando dezenas de horas, as side quests deixam uma sensação amarga de frustração. O problema, portanto, não é a falta de conteúdo bruto, mas sim a substância da narrativa. Um mapa pode abrigar centenas de tarefas: se todas funcionam como meros itens de um checklist, você logo para de se importar com quem pediu ajuda.

Em contrapartida, The Witcher 3 costuma partir da mesma premissa básica. Geralt chega a uma taverna, um morador relata um problema e o bruxo aceita o trabalho. Contudo, essa aparente simplicidade é quase uma armadilha narrativa. Um contrato banal de caça a monstros pode descarrilar para um segredo de família, uma teia de mentiras ou um dilema moral pesado, eclipsando por completo a criatura que motivou o serviço. O título não reinventa necessariamente o que fazemos de controle na mão: ele dá um motivo real e humano para nos importarmos com aquilo.

Nem seus sucessores espirituais decifraram o segredo por completo

O paralelo fica ainda mais fascinante ao observarmos The Blood of Dawnwalker. O estúdio Rebel Wolves reúne veteranos responsáveis por The Witcher 3 e busca algo bem mais sofisticado do que apenas acumular dezenas de missões no mapa. O game opera sob um limite de 30 dias in-game, com o tempo servindo como recurso valioso na tomada de decisões e na execução de objetivos. Assim, qualquer atividade opcional impacta a construção da sua jornada como um todo. No papel, o conceito é brilhante.

É justamente aí que a aventura se sobressai. O jogo não precisava de sistemas mirabolantes para provar que uma missão importava. Bastavam um personagem carismático, um vilarejo esquecido, uma fofoca local e escolhas éticas desconfortáveis para que a experiência ficasse gravada na memória onze anos depois. O grande trunfo da desenvolvedora polonesa não foi encher o mapa com centenas de missões paralelas, mas conseguir fazer a gente esquecer que elas eram apenas secundárias.

E talvez essa seja a principal lição para os RPGs de 2026. Uma boa missão secundária não existe para dar a ilusão de que o mapa tem mais coisas para fazer. Ela existe para que, anos após largar o controle, você ainda seja capaz de recontar exatamente as emoções que viveu ali.