Rali perde força e taxas de juros fecham de lado, com dúvidas sobre quadro fiscal

7 de Out de 2026 - 19:10
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Rali perde força e taxas de juros fecham de lado, com dúvidas sobre quadro fiscal

Os juros futuros negociados na B3 operaram sem direção única e com oscilações tímidas nesta quarta-feira, 7, ainda que o mercado siga demonstrando otimismo com a possibilidade de alternância de poder em 2027 e a esperada redução dos prêmios de risco associados ao quadro fiscal. Sem gatilhos específicos, as taxas curtas recuaram levemente, alinhadas aos cortes já precificados para a Selic no curto prazo. Já os vértices mais longos, em viés de alta, recompuseram pequena parte da expressiva queima de prêmios observada nos últimos dois dias, que passou de 100 pontos-base.

Segundo agentes, o mercado ainda não vislumbra neste momento um plano fiscal que abra espaço para uma queda maior dos juros. Esse ceticismo e o forte ajuste para baixo já ocorrido nas taxas dificultariam a continuidade do rali, em uma conjuntura global também mais pressionada para a renda fixa.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 oscilou de 12,61%, no ajuste da véspera, para 12,605%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 12,435%, vindo de 12,46% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 subiu de 12,57% a 12,600%.

Em igual horário, o retorno da T-Note de 2 anos cedia a 4,758%, o da T-Note de 10 anos operava praticamente estável, em 5,291%, e o do T-bond de 30 anos subia a 5,670%. A renda fixa americana começou a sessão renovando máximas na ponta longa, mas a alta arrefeceu após um leilão de US$ 39 bilhões em papéis de 10 anos, o maior desde 2000, com demanda acima da média. A ata do Federal Reserve (Fed), por sua vez, sugeriu novo aumento dos juros este ano, conforme já previsto por analistas, com impacto neutro na curva.

Para o sócio-fundador e diretor de investimentos (CIO) da Persevera Asset, Guilherme Abbud, o cenário local foi o principal indutor dos negócios nas últimas semanas, assim como nesta quarta, com a mudança de expectativas sobre o resultado da eleição presidencial, que ganhou novo fôlego após o primeiro turno. Passada a primeira reação de euforia, ele avalia que os players não estão confortáveis para antever um ajuste fiscal forte que permita uma queda mais significativa dos juros, o que mantém algum prêmio nas taxas.

“Mas nós estamos na ponta contrária. Achamos que o ativo com maior potencial de todos é o pré longo porque temos uma visão fiscal completamente diferente do mercado”, disse. Segundo Abbud, as análises mais pessimistas de que uma trajetória sustentável das contas públicas exige grandes reformas se concentram mais no resultado primário do governo, na ordem de 0,5% do PIB, quando o déficit nominal ronda 10% do PIB.

Na visão do CIO, por mais que reformas sejam bem-vindas, um choque de expectativas causado por declarações mais fiscalistas de eventual novo governo já seriam suficientes para diminuir a percepção de risco dos agentes e dar conforto ao BC em um ciclo de baixa mais forte da Selic. Com juros menores, diz, uma boa parte do ajuste seria feito via redução do custo da dívida.

O economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, diz que um novo rali dos juros domésticos dependerá do diferencial de votos nas próximas pesquisas eleitorais, e/ou novidades no front do pacote fiscal para 2027. Amanhã, serão divulgadas Datafolha e PoderData e, na sexta-feira, saem os levantamentos dos institutos AtlasIntel e Vox.

Em sua carteira mensal de renda fixa, a EQI Research recomenda maior exposição ao mercado de juros reais, em Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) mais longas, mas o analista de investimentos João Abdouni pondera que o momento é mais apropriado para “recalibragem gradual das alocações”, e não para grandes movimentos de carteira.

Segundo Abdouni, o mercado antecipou parte do cenário no rali de segunda-feira, e a continuidade da valorização dos ativos dependerá de medidas concretas de consolidação fiscal, reformas e capacidade de implementação de uma agenda econômica consistente.

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