Rubio diz que EUA estão dispostos a “ajudar” Cuba em uma transição política
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (23) que Washington está disposto a ajudar Cuba a iniciar um processo de transição política e econômica caso o regime comunista da ilha aceite promover mudanças no atual sistema. Em conversa com jornalistas em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, Rubio afirmou que Cuba tem uma “oportunidade de ouro” para entrar em um caminho de transformação e disse que os Estados Unidos estão preparados para contribuir com esse processo.
Segundo o secretário, qualquer eventual mudança na ilha levaria tempo e precisaria envolver maior liberdade política e econômica. Ele afirmou que transições desse tipo não acontecem de forma imediata e que décadas de problemas econômicos e institucionais não poderiam ser revertidas em poucos meses.
Rubio também indicou que Washington estaria disposto a trabalhar com integrantes do atual regime cubano que aceitassem conduzir o país nessa direção. Ao mesmo tempo, afirmou que há autoridades com as quais os Estados Unidos não aceitariam negociar por considerá-las responsáveis por violações cometidas pelo Estado cubano. Ele não citou quem seriam essas pessoas.
Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar em Cuba semelhante à realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, o secretário afirmou que a preferência de Washington neste momento é alcançar mudanças por meios negociados e políticos, sem o uso da força. Ele evitou, porém, fazer previsões sobre outros cenários.
O chefe da diplomacia americana também citou a possibilidade de empresas dos Estados Unidos e integrantes da diáspora cubana participarem de uma eventual abertura econômica da ilha. Segundo Rubio, a atual legislação americana, especialmente a Lei Helms-Burton, ainda estabelece fortes limitações às atividades comerciais de companhias dos EUA em Cuba.
A manifestação ocorre um dia depois de Donald Trump voltar a elevar a pressão sobre Havana. Em discurso na ONU nesta terça-feira (22), o presidente americano chamou Cuba de um “Estado falido” e afirmou que a “liberdade” chegaria à ilha. A delegação cubana deixou o plenário durante as declarações.
Trump também afirmou que Rubio está envolvido em negociações com Cuba. Nos últimos meses, o governo americano combinou sanções e restrições econômicas com ofertas de assistência humanitária direcionada à população cubana. Em julho, os Estados Unidos enviaram o primeiro voo de um pacote de US$ 100 milhões em ajuda, distribuída por organizações independentes do governo cubano.
Na semana passada, Washington anunciou ainda sanções contra 11 entidades e autoridades cubanas, incluindo empresas ligadas ao setor de níquel e estruturas militares. O regime cubano atribui parte importante da crise econômica da ilha às sanções americanas.