Senado acelera discussão da PEC que reduz jornada de trabalho para 40 horas

6 de Out de 2026 - 13:30
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Senado acelera discussão da PEC que reduz jornada de trabalho para 40 horas

Nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, o Senado inicia a análise da PEC que reduz a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, extinguindo a escala 6x1. A proposta, que já passou pela Câmara, avança sob forte resistência de entidades empresariais. Setores de comércio e indústria alertam para o aumento imediato de custos operacionais e potenciais prejuízos à economia brasileira.

Como a redução da jornada afeta os custos das empresas?

Empresas que precisam funcionar todos os dias, como supermercados e farmácias, enfrentarão um aumento direto de despesas. Como a redução da carga horária não gera receita nova para o varejo, o empresário precisará contratar mais funcionários, pagar horas extras ou aceitar uma queda na produtividade. Um estudo indica que, para grandes redes de supermercados, o impacto pode reduzir em média 12% o lucro operacional. Em pequenos negócios, o desafio é ainda maior, podendo forçar o dono a assumir o balcão sozinho nas folgas dos empregados ou até mesmo reduzir o horário de funcionamento.

Quais são os riscos para os preços pagos pelo consumidor?

Existe um receio real de que o aumento dos custos trabalhistas seja repassado aos produtos e serviços. Economistas avaliam que esse movimento pode ser sentido nas prateleiras e nos serviços nos próximos meses caso a mudança seja aprovada. Como o setor produtivo terá que absorver gastos com novas contratações para cobrir a redução das horas, o repasse de preços acaba sendo uma das ferramentas para manter o fluxo de caixa equilibrado. Além do impacto no bolso de quem compra, especialistas alertam que a medida pode elevar a informalidade no mercado de trabalho brasileiro.

O que dizem os estudos sobre o impacto econômico e no emprego?

Diferentes institutos apontam cenários preocupantes para a economia. O Centro de Liderança Pública estima que a mudança sem corte salarial pode eliminar cerca de 640 mil empregos formais, além de causar um rombo de R$ 88 bilhões na atividade econômica. Já o FGV Ibre calculou uma perda imediata de 2,6% na economia nacional. O dado mais alarmante vem da Fiemg, que projeta perdas de faturamento de até R$ 2,9 trilhões, o que equivale a 16% do PIB de 2024. Esses números refletem a rigidez da proposta frente ao cenário de empresas que já operam com margens de lucro bastante apertadas.

Por que entidades empresariais pedem o adiamento da votação?

Entidades como a CNC iniciaram uma mobilização para evitar que o quórum de votação seja atingido nesta semana. O argumento central é que uma mudança constitucional tão profunda não deve ser decidida sob influência do calendário eleitoral, para evitar que interesses políticos contaminem a análise técnica. Com o lema 'Agora não', o setor produtivo pede cautela e defende que o debate ocorra somente após o fim das eleições de 2026. A ideia é garantir que os efeitos sobre empresas, trabalhadores e a inflação sejam discutidos com base no cenário econômico real e não em promessas de campanha.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.