Sony, PS5, hacking, emulação e "quem planta vento..."
A Sony vem vivendo nos últimos dias uma típica situação de "você colhe o que planta": ainda que a maioria do público não derrame uma lágrima sequer pelo fim da mídia física no PS5, por terem trocado posse por conveniência, uma parcela do público não aceitou a novidade de bom grado.
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Entre os insatisfeitos estão as comunidades de hacking e emulação, que trabalham para vencer as defesas do console da Sony e para levar seus games (especialmente os exclusivos) para o PC; esses ganharam uma motivação a mais para atazanar a gigante japonesa e, como resultado, os avanços recentes nas duas áreas têm sido impressionantes.

Sony deveria ter previsto que o fim da mídia física não seria aceito de bom grado por parte da comunidade (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)
Sony vs. hacking
Vamos falar da cena hacker primeiro. O grupo focado em derrubar as proteções do PS5, para rodar homebrews e quem sabe, games piratas em um futuro não muito distante, vem disputando há anos um jogo de gato e rato com a Sony desde o PS3, que a companhia ainda atualiza periodicamente, ao menos uma vez por ano (os do PS Vita foram interrompidos em 2022, e do PSP em 2015).
Não que isso adiante: com ao fechamento da PS Store em seus consoles legados (exceto o PS4, que também é periodicamente atualizado) no fim de 2026, a maior parte dos usuários que mantiveram o PS3 e/ou PS Vita já os destravaram, e passaram a ter acesso a uma série de recursos nunca implementados e a lojas extraoficiais, que disponibilizam para download todos os títulos lançados para ambas plataformas, e no caso do console de mesa, isso inclui também os que nunca tiveram versões digitais oficiais.
No PS5, a cena ainda é bastante inicial mas esforços para rodar aplicativos alternativos vem sendo alcançados, apenas para serem respondidos pela Sony com novos updates do firmware quase que imediatamente, de modo a fechar todas as frestas possíveis. Ainda assim, a mais recente novidade deve ter deixado os japoneses de cabelos em pé, de uma forma que não ocorria desde que o PS3 foi vencido por George "geohot" Hotz:
No dia 29 de setembro de 2026, foi liberado um novo exploit chamado Relapse que compromete todas as versões de firmware do PS5 anteriores à mais recente 14.00.00. Isso significa que todos os consoles ainda não atualizados podem fazer uso da ferramenta para rodar código não oficial e desenvolver aplicações diversas.
No futuro, isso poderá inclusive significar que todos os games do sistema que não dependem do firmware 14.00.00 para rodar (basicamente, qualquer coisa até Marvel's Wolverine) poderão ser instalados de forma paralela à PS Store e rodados sem problema algum.

A comunidade hacker do PS5 se recusa a passar 16 anos no inferno (Crédito: Reprodução/acervo internet)
O Relapse faz uso de uma brecha conhecida de WebKit no navegador nativo do PS5, que não é diretamente acessível ao usuário, que permite acesso ao kernel e a instalação de uma ferramenta para rodar código não sancionado pela Sony. O novo método é inclusive mais eficiente que exploits de outros grupos, que poderiam ocupar o sistema por quase uma hora e sem garantia de sucesso.
Por via de regra, todo game novo do PS5 exige que o console esteja atualizado para a versão mais recente do firmware na data em que é lançado, dessa forma, e pelo menos até que a Sony consiga bolar uma forma de fechar a porteira (o que muitos dizem ser virtualmente impossível de agora em diante, conforme cada nova versão do Relapse), muito em breve os gamer poderão ter acesso a centenas de jogos sem ter que dar um centavo à Sony.
E tão certo quanto o Sol que nasce todas as manhãs, a Sony mais do que rápido lançou uma nova versão do firmware do PS5, a 14.10.00, para fechar todas as brechas.
No momento, um grupo está trabalhando para implementar uma distribuição Linux compatível com o PS5, enquanto outro pretende habilitar um boost de 60 fps em games do PS4, além de emuladores, claro.
Falando nisso...
Sony vs. emulação
Do outro lado do rio, a turma da emulação trabalha incessantemente em tornar os games do PS5 jogáveis no PC, Mac e Linux, mas este esforço é mais contido devido às exigências de hardware iniciais no processo de adaptação. Mesmo assim, programas como o SharpEmu e o KyTyPS5 vem se mostrando promissores.
Em títulos selecionados, ambos conseguem manter taxas acima de 40 fps e reproduzem gráficos estáveis, mas este é um esforço de formiguinha: a lista de compatibilidade demonstra que embora já haja uma carta respeitável de games que podem ser executados em computadores, incluindo alguns exclusivos, há uma boa parcela que sequer dá boot ou passa da tela de título.
No geral, os games mais propensos a rodar são os da primeira leva de lançamentos, como o remake de Demon's Souls, e outros mais simples como Astro Bot.
Agora lá vem ele, o caveat:
Emuladores como o SharpEmu e o KyTyPS5 ainda são bastante experimentais, e como tais, não são nada otimizados. O hardware necessário para rodar games do PS5 em um PC com qualidade decente HOJE, em tempos de crise de componentes e IAs comendo tudo beira o absurdo, exigindo processadores Intel Core i9 de 14.ª geração ou AMD Ryzen 9 série 9000, obrigatoriamente a RTX 5090 e no mínimo 128 GB de RAM DDR5.
Faça a contas e você vai descobrir que um PS5 Pro, por oficialmente R$ 7,5 mil no Brasil, sairá várias vezes mais barato que esse kit da NASA, mas a beleza da coisa é: como o SoC AMD customizado do PS5 Pro é um x86 de arquitetura Zen 2, equivalente em termos de desempenho bruto à CPU Ryzen 7 5800X (parelha à Intel Core i7-12700) e à GPU Radeon RX 7700 XT (similar à Nvidia GeForce RTX 4060 Ti de 16 GB de VRAM), o trabalho se baseia primeiro em compatibilidade, e depois em otimização para atender configurações mais "realistas".
Em tempo: tudo o dito sobre o SoC do PS5 Pro acima vale para o do Xbox Series X.
De qualquer forma, é fato que o esforço das comunidades hacker e de emulação ganhou força desde que a Sony anunciou que deixará de lançar games em mídias físicas a partir de 2028, e mesmo que esteja realizando pesquisas entre desenvolvedores (que expressaram geral insatisfação à empresa durante a Gamescom 2026), o mais provável é que os japoneses estejam coletando dados para saber como convencer seus parceiros comerciais a aceitarem a nova realidade, por já ter declarado que não pretende voltar atrás em sua decisão.
Isso posto, a ojeriza que parte do público pegou com a Sony pode causar um bom estrago no futuro, se as ferramentas de hacking e emulação melhorarem cada vez mais rápido, com a comunidade motivada a romper limites por pura força do ódio.