Tempo de bola em jogo, minuto fora e lei Vini Jr: veja o balanço das novas regras no Brasileirão

23 de Set de 2026 - 20:30
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Tempo de bola em jogo, minuto fora e lei Vini Jr: veja o balanço das novas regras no Brasileirão

Veja o balanço da aplicação das novas regras no Brasileirão As novas regras contra a cera e o anti-jogo já têm impacto direto no Campeonato Brasileiro. O Gato Mestre* contabilizou 38 aplicações das medidas nos 62 jogos disputados desde a 23ª rodada, quando as normas passaram a valer. A chamada “Lei Vini Jr.” entrou em vigor em duas oportunidades no Brasileirão. A regra prevê a expulsão de um jogador, suplente ou substituído que cubra a boca ao se comunicar com um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória. A primeira ocorrência aconteceu logo na rodada de estreia das novas regras. Arthur Cabral, do Botafogo, inaugurou a aplicação da lei e foi expulso por cobrir a boca durante uma discussão após a derrota por 1 a 0 para o Vitória, pela 23ª rodada. A segunda aconteceu no Athletiba, no empate por 3 a 3 pela 27ª rodada. Aos 42 minutos do primeiro tempo, Wagner do Nascimento Magalhães foi ao VAR e expulsou Breno Lopes por um lance envolvendo Benavídez. Breno Lopes jogador do Coritiba recebe cartão vermelho pela Lei Vini Jr. Gabriel Machado Para acelerar o jogo, os jogadores passaram a ter apenas cinco segundos para cobrar lateral ou tiro de meta. A arbitragem penalizou a demora nessas jogadas em apenas quatro ocasiões: três laterais foram revertidos e um tiro de meta virou escanteio. O caso do tiro de meta aconteceu no Choque-Rei, na vitória do Palmeiras por 2 a 0 sobre o São Paulo. Aos 44 minutos do primeiro tempo, o goleiro Carlos Coronel levou seis segundos para cobrar o tiro de meta, e o árbitro Rafael Rodrigo Klein apitou escanteio a favor do Alviverde. Na cobrança, o Palmeiras chegou a finalizar com o meia Arias, após batida de Andreas Pereira. Carlos Coronel cobra tiro de meta em Palmeiras x São Paulo Marcello Zambrana/AGIF Outra regra aplicada três vezes até o momento determina que o jogador tenha 10 segundos para deixar o campo depois que o quarto árbitro ergue a placa indicando a substituição. Nos três casos, o tempo de saída foi superior ao limite e atrasou a entrada do substituto. O primeiro foi o zagueiro Ruan, que deixou o campo aos 17 minutos do segundo tempo de Internacional 0 x 0 Atlético-MG. O substituto Vitor Hugo precisou esperar 1 minuto e 12 segundos até poder entrar. Em Grêmio 3 x 1 Chapecoense, Danilo Barbosa também demorou a sair, e Bernardo Zortea aguardou 1 minuto e 20 segundos para ser liberado pela arbitragem. Já em Flamengo 2 x 1 Bragantino, Arrascaeta demorou a deixar o gramado, e De la Cruz precisou esperar 1 minuto e 4 segundos para ser autorizado a entrar. Acabaram as dores? Atendimentos a goleiros despencam 65% Kannemann brasileiro? Entenda brecha no registro do limite de estrangeiros Weverton é o goleiro com mais gols evitados no Brasileirão Um dos efeitos mais evidentes do combate à cera é a queda de 65% nos atendimentos médicos a goleiros. Antes da mudança, foram 88 atendimentos em 215 partidas do Brasileirão 2026. Depois que a regra passou a valer, esse número caiu para nove atendimentos em 62 jogos. A primeira aplicação da regra teve o goleiro Gabriel Brazão e o capitão Neymar como protagonistas. Embora Brazão não tenha recebido atendimento médico, o árbitro Lucas Casagrande aplicou a nova regra e determinou que o camisa 10 do Santos deixasse o campo. Neymar fica um minuto fora depois de atendimento ao goleiro Brazão em Vasco x Santos Reprodução/TV Globo Outro caso emblemático aconteceu na vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Mirassol, em partida atrasada da 4ª rodada. Por causa da nova regra, o time paulista estava com um jogador a menos quando o Rubro-Negro aumentou o placar, com Lucas Paquetá. Após o goleiro Walter receber atendimento, o centroavante André Luís foi escolhido para deixar o gramado. Com a superioridade numérica, o Flamengo aproveitou o espaço e ampliou após cruzamento de Carrascal. Walter, goleiro do Mirassol recebe atendimento contra o Flamengo Thiago Ribeiro/AGIF Além dos nove goleiros atendidos em campo, o ge contabilizou outros 20 casos em que um jogador de linha recebeu atendimento e teve de cumprir a saída obrigatória de pelo menos um minuto. Em média, os jogadores ficaram 1 minuto e 13 segundos fora de campo, e nenhum gol foi marcado durante esse intervalo. Um efeito colateral da medida é a recusa de jogadores ao atendimento médico em campo, justamente para não ter de cumprir o minuto fora. Um exemplo claro aconteceu em Remo 2 x 3 Coritiba, pela 25ª rodada. Aos 10 minutos do primeiro tempo, o lateral Marlon, do Remo, ficou caído no gramado após uma dividida com JP Chermont, do Coritiba. A árbitra Daiane Muniz se aproximou do atleta, mas ele dispensou o atendimento para não precisar deixar o campo (veja o vídeo abaixo). Aos 9 do 1º tempo - Marlon fica no chão, mas dispensa atendimento médico Aumento do tempo de bola rolando O efeito prático da aplicação das regras listadas nesta matéria é o aumento do tempo de bola em jogo. Um estudo encomendado pela CBF revelou que o tempo de bola rolando por partida no Campeonato Brasileiro aumentou em 4 minutos e 49 segundos desde a implementação das novas medidas contra a cera. A média atual é de 58 minutos e 43 segundos de bola rolando por jogo, contra 53 minutos e 54 segundos antes da adoção das regras. O ganho representa um aumento de 5,9% no tempo efetivo de jogo. Brasileirão: CBF registra aumento de quase cinco minutos de bola rolando por jogo com novas regras *Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, José Victor Meirinho, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.