Venezuela pode levar mais de um ano para realizar eleições prometidas por Delcy, diz agência
A eleição prometida pela líder interina do regime da Venezuela, Delcy Rodríguez, pode levar mais de um ano para ser realizada, segundo cinco fontes políticas e analistas ouvidos pela agência Reuters. Duas dessas fontes disseram à agência que uma votação dificilmente ocorrerá antes do fim de 2027.
Delcy afirmou na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta semana, que a Venezuela realizará eleições e que o chavismo iniciou um diálogo com setores da oposição para avançar nesse processo. Ela prometeu condições de participação para todas as forças políticas, mas não apresentou um calendário eleitoral.
A demora estaria relacionada principalmente às mudanças institucionais discutidas entre o regime interino e integrantes da oposição em negociações mediadas pelos Estados Unidos.
Um dos pontos centrais é a substituição dos 32 magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e dos cinco integrantes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão responsável pela organização das eleições. Grupos opositores e organizações internacionais questionam há anos a independência das duas instituições.
Mesmo depois da formação de um novo CNE e TSJ, ainda seria necessário atualizar o cadastro de eleitores, definir garantias para participação dos partidos e resolver questões operacionais sobre a forma de votação. Duas fontes próximas às negociações estimaram à Reuters que apenas esse processo institucional poderia consumir até um ano.
EUA defendem estabilidade antes da transição eleitoral
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta semana que uma transição política duradoura dependerá também de condições mínimas de estabilidade econômica e social na Venezuela. Segundo ele, realizar uma eleição sem que o próximo governo tenha condições de administrar o país poderia comprometer o próprio processo de transição.
Trump declarou no começo deste mês que Delcy quer realizar eleições, mas avaliou que a Venezuela ainda não estava preparada para uma nova votação. Na ocasião, o presidente americano disse esperar que o processo aconteça “em breve”, sem apresentar um prazo.
As negociações entre o regime interino e parte da oposição entraram neste mês em uma segunda rodada, com apoio dos Estados Unidos. Entre os temas discutidos estão garantias civis e políticas, liberdade de expressão e mudanças institucionais necessárias para uma futura eleição.
A líder opositora María Corina Machado não participa dessas conversas. Ela já tentou retorna à Venezuela sete vezes. Delcy assumiu o Executivo venezuelano depois da captura de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro.