40 alvos em 2,5 km: o dia em que a polícia tomou a Faria Lima

30 de Out de 2026 - 18:10
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40 alvos em 2,5 km: o dia em que a polícia tomou a Faria Lima

Em 25 de agosto de 2025, o coração do centro financeiro do país foi tomado por viaturas da , da , e da. As operações Carbono Oculto, do , Quasar e Tank, da PF, desarticularam uma rede de fundos de investimento e fintechs.

O Secretário Especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirma que a expertise adquirida pelos investigadores na Carbono Oculto fez com que eles alimentassem plataformas de Inteligência Artificial, que os permitiram destrinhcar uma teia de fundos que desvelou o escândalo do Banco Master.

Um ano depois, o Metrópoles voltou aos alvos e conferiu o que havia mudado após a operação. A reportagem percorreu cerca de 3 mil quilômetros do litoral ao interior paulista, passando pela capital para analisar postos de combustível e usinas de cana de açucar usadas para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Do canavial à Faria Lima

. O Metrópoles publicou nesta sexta-feira (30/07), o terceiro cápitulo de uma série de reportagens sobre as consequências da operação Carbono Oculto, considerada a maior ação de combate à infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis do país.

Deflagrada em agosto de 2025 pelo , do MPSP, a operação expôs um grupo criminoso que controlava canaviais, usinas, distribuidoras de combustíveis e postos de gasolina – eram centenas de empresas enredadas em uma teia complexa de fraudes, sonegação de impostos e ocultação de patrimônio. A rede se estendia dos canaviais do interior paulista às fintechs da Faria Lima.

Desvio bilionário

A estimativa dos investigadores é que o império comandado por Primo e Beto Louco tenha movimentado R$ 54 bilhões entre 2019 e 2024, sendo que ao menos R$ 8,4 bilhões foram desviados em fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Em muitos pontos, os negócios da dupla se cruzam com os de personagens acusados de pertencer ao . As defesas, entretanto, negam que haja essa ligação.

A apuração do Metrópoles mergulhou em milhares de páginas de processos judiciais e inquéritos do e da para entender os impactos da rede criminosa. Também entrevistou usineiros, agricultores, empresários do setor de combustíveis e autoridades públicas para detalhar os prejuízos causados à sociedade pelo crime organizado.

Pouco mais de um ano depois da Carbono Oculto, Primo e Beto Louco seguem foragidos, trabalhadores rurais tentam receber indenizações, alguns postos ligados ao grupo seguem funcionando sem autorização. O que mudou foi a expertise gerada na Carbono Oculto aos investigadores, que permitiu desvelar outras fraudes financeiras. Além disso, a arrecadação dos estados com combustíveis cresceu em todo o país, mostrando que a operação conseguiu, ao menos em parte, coibir a criminalidade no setor.