Brasileiro morre na Turquia após ser detido em centro de migração
O brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, foi dado como morto por autoridades turcas durante uma viagem turística à Turquia, dias depois de informar à família que estava detido em um centro de migração. A irmã dele viaja ao país nesta quarta-feira (14/10) para reconhecer o corpo.O empresário e programador morava na Europa há cerca de sete anos e viajou à Turquia para fazer um curso de falcoaria. No país, ele se envolveu em uma briga por intolerância religiosa, conforme relatou à mãe em ligação no último final de semana.De origem judaica, Lucas tinha uma tatuagem grande estampando a bandeira de Israel com o Leão da tribo de Judá, e usava com frequência um colar com a Estrela de Davi, disse o irmão dele, Marcos Medeiros, ao Metrópoles. Segundo o irmão, essas características podem ter incitado algum tipo de desentendimento com religiosos locais, de maioria islâmica.Marcos demonstrou surpresa ao saber que Lucas vivenciou tal situação. “Meu irmão sempre foi um cara progressista, nunca foi um cara preconceituoso, nunca foi xenofóbico… nem extremista religioso, nada, nada. Meu irmão sempre foi tranquilo”, disse.5 imagensFechar modal.1 de 5Lucas enviou a localização do centro migratório à mãe entre os dias 5 e 6 de outubroImagem cedida ao Metrópoles2 de 5Últimas mensagens da mãe a Lucas nunca foram recebidasImagem cedida ao Metrópoles3 de 5Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na TurquiaImagem cedida ao Metrópoles4 de 5Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na TurquiaImagem cedida ao Metrópoles5 de 5Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na TurquiaImagem cedida ao MetrópolesLevado a centro de detenção migratóriaNa briga, o empresário chegou a ter o rosto cortado. Ele procurou as autoridades turcas e acabou sendo retido no Centro de Remoção de Harmandalı, em Esmirna, para ser deportado. Quando chegou ao local, na madrugada entre os dias 5 e 6 de outubro, Lucas encaminhou para a mãe a localização do centro de detenção via WhatsApp. Ele também ligou combinando que chegaria a São Paulo nessa segunda-feira (12/10), em visita para conhecer as sobrinhas, que nasceram recentemente, antes de retornar à Europa.Em 8 de outubro, no entanto, Lucas parou de responder às tentativas de contato dos familiares. E, no último sábado (10/10), as mensagens enviadas a ele pararam de ser recebidas.Apesar da falta de contato, a mãe de Lucas foi até o Aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, às 5h da manhã, esperar pelo filho. Corpo encontrado em hotelÀs 14h do mesmo dia, a ex-companheira do empresário, que havia acionado o Consulado do Brasil em Istambul por e-mail, recebeu uma ligação da representação consular na Turquia afirmando que um corpo foi encontrado em um hotel junto de drogas ilícitas e o passaporte do brasileiro. O irmão do programador nega que ele já tenha se envolvido com drogas.Lucas foi dado como morto, e a versão apresentada pelas autoridades turcas deixou a família consternada. “Como é que a pessoa tá no centro de imigração e é encontrado no hotel?”, questionou Marcos.A mãe e o irmão do empresário procuraram a Polícia Federal, que disse não ter atribuição para lidar com o caso, direcionando os dois para a Polícia Civil de São Paulo. Um boletim de ocorrência foi registrado no 7º Distrito Policial (DP), onde a família contatou mais uma vez o Consulado Brasileiro na Turquia por telefone.Durante a ligação, a representante consular foi confrontada com as coordenadas de GPS enviadas por Lucas da cela. Diante das informações obtidas pela família, a narrativa do hotel se tornou mais frágil. Segundo Marcos, pouco depois, as autoridades turcas recuaram e admitiram que o episódio se deu dentro da unidade migratória.“Eles mudaram de versão porque foram trucados com a questão da localização. Se assustaram quando souberam que meu irmão tinha sido mais esperto do que eles e mandando uma localização pra gente”, disse Marcos.Ele destacou ainda que a representação consular tem se comunicado com a família apenas por ligação. O e-mail enviado pela ex-companheira de Lucas, por exemplo, nunca foi respondido.“Eles não querem mandar mensagem. Eles só falam de forma escusa por ligação. Isso tá muito errado. Só por ligação. Eles não querem se comunicar por mensagem, nem querem se comunicar por e-mail”, reforçou o irmão do empresário.Nesta quarta-feira (14/10), uma irmã de Lucas está viajando junto com o marido para reconhecer o corpo. Ela deve chegar à Turquia ainda nesta tarde.Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do Consulado-Geral do Brasil em Istambul, informou que tem conhecimento do caso e está em contato com a família, “a quem tem sido prestada a assistência consular devida”.