Carolana, do vôlei, revela que teve câncer do colo do útero; entenda a doença

A jogadora de vôlei Carolana revelou nesta terça-feira (29) que estava tratando um câncer de colo do útero desde abril deste ano. A medalhista olímpica com a Seleção Brasileira contou que fez duas cirurgias, em junho e agosto, e que já está fora de perigo.
Nas redes sociais, ela afirmou que a evolução rápida do tratamento foi possível graças ao diagnóstico precoce. Carolana descobriu o câncer ainda no início durante uma consulta de rotina, fator essencial para reverter o quadro da doença.
O câncer do colo do útero é um dos tipos mais comuns de câncer ginecológico e está fortemente associado à infecção persistente pelo HPV. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que 19.310 brasileiras sejam diagnosticadas com a doença em 2026.
Ainda segundo o INCA, esse deve ser o 6º tipo de câncer mais comum em número de incidência no Brasil em 2026. Fica atrás somente do câncer de mama, próstata, cólon e reto, traqueia, bronco e pulmão, e estômago.
Já de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer de 2024, a doença que acomete o colo do útero mata cerca de 7,4 mil pessoas anualmente.
O que é o câncer do colo do útero?
Essa doença se desenvolve na região inferior do útero, conhecida como colo do útero, que conecta o corpo do órgão à vagina.
O Ministério da Saúde informa que alguns hábitos que podem aumentar o risco dessa doença incluem o início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros; tabagismo — diretamente relacionada à quantidade de cigarros fumados —; uso prolongado de pílulas anticoncepcionais; e exposição a papilomavírus humano (HIV) tipo 16 e/ou 18 e ou HIV em atividades de trabalho.
O câncer do colo do útero pode não apresentar sintomas no início. Mas alguns sinais merecem atenção e devem ser investigados por um profissional de saúde, como:
- Sangramento durante ou após a relação sexual;
- Sangramento entre as menstruações;
- Sangramento depois da menopausa;
- Dor durante a relação sexual;
- Corrimento vaginal com sangue ou com mau cheiro;
Nos casos mais avançados, podem aparecer outros sintomas, como dor na região da pelve ou na parte baixa das costas, cansaço intenso, problemas nos rins, inchaço e dor nas pernas.
O diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de cura, por isso, a recomendação é de que as pessoas com útero façam exames regulares preventivos.
Os exames utilizados na investigação da doença, ou seja, apenas quando há suspeita de câncer, incluem o Papanicolau, teste molecular DNA-HPV, Colposcopia (visualização detalhada do colo do útero com uso de um aparelho) e biópsia.
Prevenção do câncer do colo do útero
A prevenção do câncer do colo do útero inclui a vacinação contra o HPV e a realização periódica do exame de Papanicolau, que permite a detecção precoce de lesões precursoras.
A vacina é distribuída gratuitamente pelo SUS e atualmente é indicada para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
- Mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos;
- Vítimas de abuso sexual, imunocompetentes, de 15 a 45 anos (homens e mulheres) que não tenham tomado a vacina HPV ou estejam com esquema incompleto;
- Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de HIV, com idade de 15 a 45 anos, que não tenham tomado a vacina HPV ou estejam com esquema incompleto (de acordo com esquema preconizado para idade ou situação especial);
- Pacientes portadores de Papilomatose Respiratória Recorrente/PRR a partir de 2 anos de idade.
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Vale lembrar que, além da vacinação e exames, a prevenção primária do câncer do colo do útero está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV. A infecção ocorre por via sexual, logo, o uso de preservativos durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer pelo contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal.
Tratamento do câncer do colo do útero
O tratamento desse tipo de câncer, assim como qualquer outro, depende do estágio da doença. No caso de tumores no colo do útero, as etapas do tratamento incluem:
- Cirurgia – retirada do tumor e, em casos mais avançados, histerectomia (remoção do útero);
- Radioterapia – utiliza radiação para destruir as células cancerosas;
- Quimioterapia – uso de medicamentos para destruir ou impedir a multiplicação das células tumorais;
- Terapia alvo – em casos avançados, pode ser utilizada para bloquear o crescimento tumoral.
O acompanhamento médico após o tratamento é fundamental para detectar recidivas precocemente. Para pacientes que já tiveram a doença, são recomendadas consultas regulares a cada 3 a 6 meses nos primeiros anos e, posteriormente, a cada 6 a 12 meses. Hábitos saudáveis também são essenciais para evitar surgimento de novos tumores.
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