Casas Bahia corta funcionários e reduz estoque dado como garantia a credores
A rede varejista Casas Bahia reduziu em 40,5% o estoque usado como garantia de suas dívidas e diminuiu em 4,6mil pessoas o quadro de funcionários entre abril e agosto, de acordo com uma perícia determinada pela Justiça. O laudo foi pedido em meio à recuperação judicial decorrente de um prejuízo contábil de R$ 17,3 bilhões.
Segundo apurações dos jornais Folha de S. Paulo e Valor Econômico, o estoque oferecido aos credores caiu de R$ 3,18 bilhões para R$ 1,89 bilhão no período. A perícia aponta que, mesmo que os credores retirassem as mercadorias, a operação não pararia imediatamente, mas 65 produtos poderiam ficar sem oferta.
Apesar dos cortes, a maior parte da rede continua funcionando com 735 das 744 lojas abertas, além de 25 dos 29 centros de distribuição em operação. As operações da fábrica Bartira e das vendas pela internet seguem normalmente.
A rede foi procurada pelas reportagens, mas não se pronunciou sobre os resultados da perícia.
Anteriormente, as Casas Bahia já haviam anunciado o fechamento de 298 lojas durante sua reestruturação. O levantamento também identificou áreas ociosas em parte dos centros de distribuição, mas não apontou falta de produtos perceptível nas lojas.
A companhia mantém atualmente 765 imóveis alugados, com despesas mensais de aproximadamente R$ 66 milhões. Sete lojas já foram alvo de decisões de desocupação e perda de posse, em Itaúna (MG) e Sarandi (PR), enquanto não foi identificado risco atual semelhante nos centros de distribuição.
As unidades de Jundiaí (SP) e Duque de Caxias (RJ) concentram 54,5% da movimentação logística da empresa. O laudo também registrou avisos de corte de energia em 22 unidades e na fábrica Bartira, além de R$ 42 milhões em contas de infraestrutura digital em aberto, embora ainda não houvesse notificação de interrupção.
No pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia declarou passivo de R$ 17,32 bilhões, distribuído em cerca de 28,8 mil registros de credores. Em agosto, entraram R$ 999,2 milhões no caixa da companhia, sendo que a perícia estimou a necessidade de um reforço de capital de até R$ 257,1 milhões no momento mais crítico do período analisado.
Os dez maiores credores concentram pouco mais da metade da dívida, enquanto 88 posições com valores superiores a R$ 10 milhões representam 89,25% do passivo total. A perícia também analisou R$ 756 milhões em depósitos judiciais e recursais e avaliou que os valores relacionados a créditos incluídos na recuperação poderiam ser utilizados pela companhia, desde que haja autorização judicial.
A crise é resultado de anos de dificuldades financeiras e tentativas de reorganização, sendo a primeira delas em 2024 quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões por meio de recuperação extrajudicial. No ano seguinte, a Mapa Capital passou a controlar 85,5% da empresa após converter debêntures em ações.
No segundo trimestre deste ano, a Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Desse valor, R$ 9,1 bilhões foram relacionados a efeitos contábeis não recorrentes da segunda fase do plano de recuperação da empresa.