Cidade de São Paulo registra o segundo outubro mais chuvoso desde 1995
O mês de outubro de 2026 na cidade de São Paulo foi o segundo mais chuvoso desde o início da coleta de dados iniciada em 1995 pelo CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da Prefeitura.
A precipitação média registrada nos 31 dias do mês na capital paulista chegou a 220,3 milímetros segundo o órgão, quase o dobro que os 112 milímetros esperados.
Somente em três dias choveu mais que o esperado para o mês. Nos dias 16, 24 e 25 a quantidade de chuva foi de 120,1 milímetros, e dia 25 foi o mais chuvoso de outubro com 37 milímetros. Ao todo foram 26 dias molhados, dos quais apenas sete registraram menos que 1 milímetro.
Segundo o levantamento do CGE apenas outubro de 2023 registrou maior precipitação acumulada, com 250,4 milímetros.
Impactos do El Niño na chuva
O órgão ligado à SIURB (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras) destacou que a chuva acima da média nos últimos meses se deu principalmente por conta do fenômeno climático El Niño.
Caracterizado como o aquecimento anormal das águas do oceano pacífico equatorial, acontece de forma cíclica em um intervalo de 2 a 7 anos e de maneira intercalada com períodos neutros e sob o efeito do La Niña, o resfriamento acima da média das águas.
Seus principais efeitos acontecem na América do Sul e Central, segundo a OMM (Organização Mundial Meteorológica), e no Brasil os mais severos são especialmente chuvas intensas na região Sul e secas prolongadas no Norte e Nordeste.
De acordo com cientistas, o El Niño atual será um dos mais fortes da história, e foi intensificado pelas mudanças climáticas. As fortes chuvas já causaram estragos na capital paulista como alagamentos, deslizamentos e uma série de desalojados e mortos ao longo dos últimos meses.
Mudanças na série histórica
O CGE analisou também a distribuição ao longo dos anos da chuva em São Paulo, e destacou que a cidade vinha de uma série abaixo da média. Entre agosto de 2019 até meados de 2022 a chuva foi menor que o esperado, o que afetou os reservatórios de água, por exemplo.
Em 2023 o El Niño mudou o cenário, e a chuva ficou acima da média naquele ano. Em 2024 e 2025 a precipitação voltou a ficar abaixo do esperado, mas aconteceu de forma mais intensa.
Esse ano o padrão continuou no primeiro semestre, mas a intensificação do El Niño mudou o cenário. “Em 2026 esse padrão de chuvas abaixo do esperado ainda vem se fazendo presente, porém janeiro, junho e agosto terminaram com um volume acima da média”, destacou Michael Pantera, meteorologista do CGE.
O El Niño deve se estender até pelo menos fevereiro de 2027 e Pantera destaca que outubro continuou essa nova tendência de maior precipitação. Novembro começou chuvoso, e a defesa Civil acionou o gabinete de crises por conta da previsão de temporais.
Segundo dados da Defesa Civil, no mês passado uma morte foi registrada na capital paulista por conta das chuvas, em 14 de outubro em um desabamento. Já em 2 de novembro um outro deslizamento matou duas pessoas.
*Sob supervisão de Manuella Dal Mas
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