Com Redata, Ascenty projeta quadruplicar com direito a projeto bilionário

22 de Set de 2026 - 06:40
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Com Redata, Ascenty projeta quadruplicar com direito a projeto bilionário

A demanda por data centers provocada pela inteligência artificial e a computação em nuvem já vinha acelerando o crescimento da Ascenty nos últimos anos. Mas a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) leva as projeções a um novo nível. Em três anos, a companhia, uma das líderes do setor no Brasil, deve quadruplicar de tamanho.

Maior exemplo do ciclo de crescimento aguardado pela companhia é o projeto de um novo data center em Sumaré, no interior de São Paulo. Com investimento de US$ 1 bilhão, o espaço foi projetado para atender a apenas um hyperscaler, o nome dado a gigantes do processamento e armazenamento em nuvem, como Google (GOGL34) , Amazon (AMZO34) e Microsoft (MSFT34).

A informação de quem ocupará o espaço é confidencial. O que dá para saber é que este é apenas um dos diversos projetos que devem levar a Ascenty ao patamar de 1 gigawatt em potência dedicada exclusivamente aos seus data centers em três anos, algo que ocupará aproximadamente 1 milhão de metros quadrados em novos data centers.

“O grande empecilho do Brasil não era energia, era o custo de operar aqui versus o custo de operar lá fora”, conta o CEO da Ascenty, Christopher Torto, ao InfoMoney. Sua avaliação é de que o mercado local seguiria crescendo em um ritmo acelerado, mas os incentivos tributários do Redata devem promover um salto de investimentos.

Sancionado pelo presidente Lula na última semana, o regime tributário isenta empresas que instalarem data centers no Brasil de PIS/Pasep, Cofins e IPI na aquisição de equipamentos de tecnologia da informação e computação, importados ou produzidos no Brasil, destinados à implantação, modernização e ampliação desses empreendimentos.

Como contou o InfoMoney, companhias como a Nvidia, principal fornecedora dos chips de última geração para treinamento de inteligência artificial, já projetam que o Brasil deve levar os custos de implementação de projetos no país a patamares competitivos com os principais mercados do mundo.

“Vamos começar a ver nos próximos seis meses anúncios de projetos com contratos. Infelizmente, muitos data centers hoje anunciam projetos, mas não têm clientes”, aponta o executivo. Para o executivo, embora o mercado brasileiro dê sinais do seu potencial, ainda há muitos projetos especulativos sem investimento contratado.

Além da demanda, novos projetos da Ascenty também têm sido impulsionados pela necessidade de atualização do parque de servidores no país.

Acontece que os racks que comportam as GPUs para processar IA se tornaram cada vez mais pesados conforme o tamanho dos chips diminuiu. Para se ter ideia, em alguns projetos esses servidores chegam a consumir 210 quilowatts, contra 8 quilowatts em racks dedicados a serviços de nuvem tradicionais.

O primeiro efeito: os novos racks são mais pesados e precisam de estruturas mais resistentes para suportá-los no piso. Além do mais, os equipamentos mais modernos dissipam ainda mais calor que suas versões tradicionais, exigindo a adequação da refrigeração por ar para a refrigeração líquida, explica Torto.

Toda essa estrutura demanda energia. Embora hoje o país gere mais energia do que consome, o mercado vê alguns gargalos na transmissão: “A partir de 2029 não vai ser um problema tão grande porque há muito reforço das linhas de transmissão agora. Governo, Anatel e ONS estão olhando para isso, tentando trazer investimentos mais rápido”, afirma o executivo da Ascenty.

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