Cuba impede opositores de participar de missas em meio a nova onda de repressão
O regime cubano impediu opositores e ativistas de participar de missas e outras celebrações religiosas durante uma série de operações de vigilância e restrições de circulação realizadas no mês de setembro. As ações fazem parte de um conjunto de pelo menos 344 episódios de repressão registrados no país no mês passado pelo Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH), segundo relatório divulgado nesta terça-feira (6).
Do total contabilizado pela organização, 17 casos foram classificados como detenções arbitrárias e outros 327 como diferentes tipos de abuso. O levantamento inclui 151 casos de pessoas que tiveram suas casas cercadas ou foram submetidas a vigilância, além de ameaças, intimações policiais, multas e denúncias feitas por presos e familiares.
Entre os alvos estavam integrantes das Damas de Branco, grupo formado por familiares de presos políticos. Segundo o OCDH, agentes mantiveram residências de integrantes do movimento sob vigilância durante os quatro domingos de setembro, com o objetivo denunciado de impedir que elas saíssem de casa para participar de missas.
As restrições também foram registradas em datas importantes para os católicos cubanos. Nos dias 7 e 8 de setembro, durante as celebrações de Nossa Senhora de Regla e Nossa Senhora da Caridade do Cobre, Berta Soler, líder das Damas de Branco, seu marido, o opositor Ángel Moya, e outros ativistas denunciaram que estavam sendo vigiados e impedidos de deixar suas casas.
No dia 24, quando católicos celebram Nossa Senhora das Mercês, Berta Soler voltou a denunciar um cerco à sua residência para impedir que fosse à igreja, de acordo com o observatório.
O relatório também aponta ações contra jornalistas independentes e outros opositores. Em 18 de setembro, integrantes da sociedade civil relataram vigilância, ameaças de prisão e proibições de deixar suas residências para participar do evento “Noites Americanas”, organizado pela Embaixada dos Estados Unidos em Havana. Entre os atingidos estavam os jornalistas Yoani Sánchez, Reinaldo Escobar e Camila Acosta e o opositor Óscar Elías Biscet.
Detenções e condenações
As 17 detenções arbitrárias registradas pelo OCDH ocorreram principalmente em Havana, mas também houve casos em Holguín, Camagüey e Matanzas. Segundo a organização, algumas foram acompanhadas de agressões, ameaças, interrogatórios e apreensão de pertences. Entre os detidos estavam ativistas, jornalistas, uma professora e uma líder religiosa.
O observatório registrou ainda 46 casos de abusos contra presos políticos durante o mês. As denúncias incluem falta ou recusa de atendimento médico, alimentação insuficiente, isolamento, agressões físicas, ameaças e restrições de direitos dentro das prisões.
Yaxys Cires, diretor de Estratégias do OCDH, classificou setembro como “um mês nefasto para a liberdade de expressão e o jornalismo independente” e afirmou que a organização teme um agravamento da repressão.
Em agosto, o mesmo observatório havia contabilizado 304 ações repressivas, incluindo 37 detenções arbitrárias e 158 casos de vigilância ou cerco a residências.