Deputado reeleito do RJ volta à mira da PF por contratos de R$ 200 milhões
O deputado federal reeleito pelo Rio de Janeiro, Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), voltou a ser alvo da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (27) por suspeitas de irregularidades em contratos públicos de R$ 200 milhões para castração e esterilização de animais no Rio de Janeiro. A investigação que levou à Operação Castratio apura possíveis fraudes em licitações realizadas durante o período em que o parlamentar comandava a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Nesta nova etapa, os policiais federais cumprem cinco mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro e Niterói, incluindo endereços ligados ao deputado e seu escritório. As ordens foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro por prerrogativa de função do parlamentar.
“Os materiais obtidos na primeira etapa, deflagrada em maio de 2026, desencadearam a segunda fase da investigação, que possui o objetivo de apurar a extensão do grupo criminoso e suas práticas ilegais”, disse a PF em um comunicado.
A Gazeta do Povo tenta contato com a defesa de Queiroz. Na primeira fase, seus advogados alegaram interesse eleitoral nas eleições municipais de 2024. “Se originou com alegações infundadas no período eleitoral da sua candidatura a prefeito em 2024, quando não aceitou apoiar o candidato do ex- governador do estado do Rio de Janeiro”, afirmou.
Na primeira fase da Operação Castratio, a PF investigou contratos firmados pela Secretaria Estadual de Agricultura com a empresa Consuvet, responsável pelos serviços de castração e esterilização de animais. Entre as suspeitas levantadas pelos investigadores estavam “direcionamento, superfaturamento e fraude à licitação”.
A Polícia Federal também apontou indícios de que Queiroz teria utilizado seu envolvimento com a causa animal para obter vantagens políticas a partir dos contratos investigados. A Consuvet venceu a licitação e teria sido criada apenas três meses antes da assinatura dos contratos milionários.
As investigações identificaram ainda possíveis irregularidades envolvendo Antônio Emílio Santos, que ocupava o cargo de diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Agricultura antes de se tornar sócio da empresa. Foi ele quem autorizou a abertura da licitação que posteriormente contratou a Consuvet.
Relatórios de inteligência financeira apontaram que Antônio recebeu R$ 888 mil da empresa em apenas oito meses, incluindo um saque superior a R$ 700 mil em dezembro de 2023. Além disso, a Consuvet só teria obtido o registro necessário no Conselho Regional de Medicina Veterinária depois da assinatura do contrato.
Segundo a PF, Queiroz pode ser indiciado pelos crimes de peculato, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.