Efeito A Culpa é das Estrelas? Por que o retorno de John Green à ficção com Um Final de Cinema pode mexer com a cultura pop
Quer goste ou não, John Green, ou melhor, seus livros, foram um momento na metade dos anos 2010. Tudo começou com "A Culpa é das Estrelas", um sucesso best-seller e de bilheteria com a adaptação estrelada por Shailene Woodley e Ansel Elgort. Depois disso, você provavelmente viu alguém lendo um dos outros romances do autor, mesmo não sabendo quem ele realmente é.
Mas John Green sumiu do gênero da ficção por quase 10 anos, lançando "Tartarugas Até Lá Embaixo" por último e focando em não-ficção. Agora, ele retorna com o romance "Um Final de Cinema", que promete arrebatar o mundinho dos livros e, com certeza, o cinema também.
Nosso querido autor "quirky"
Se você não foi uma pessoa que leu alguma coisa de John Green, mas era cronicamente online antes mesmo desse termo existir, com certeza viu o autor rondando a internet, ainda mais pelo Tumblr. Era ali, por meio de publicações e vídeos com seu irmão, Hank Green, que o autor ficou famoso, até porque ele era basicamente a descrição de alguém "quirky", uma pessoa que, digamos, era "esquisitinha", ficava animado com temas específicos e era completamente desajeitado.
Era essa característica principal de John Green que também transbordava em seus livros. O autor ficava mudando entre 1ª ou 3ª pessoa, mas era inegável que pedaços desse "quirkness" estavam em seus protagonistas. Ademais, Green, com o jeito leve e mais "jovial" de seu texto, conseguia captar exatamente o que jovens dessa década adoravam se conectar e ler.
Claro, não é à toa que ele já vendeu de seus livros. A popularidade não veio somente por conta de suas obras, mas foi exacerbada pelas adaptações incrivelmente famosas delas. Nem é preciso mencionar "A Culpa é das Estrelas", que faturou U$ 307 milhões, é a mais famosa. Depois dela vieram "Cidades de Papel", "Procurando Alaska" e "Tartarugas Até Lá Embaixo".
Eu, particularmente, só consegui ler mesmo (e assistir) "A Culpa é das Estrelas" e, apesar de ter cópias de outras obras do autor, dificilmente alguma me fisgou tanto — de todas eu desisti no meio da leitura. Algumas adaptações eu até assisti, mas, sinceramente, o que mais me marcou foi a trilha sonora.
No entanto, por mais que eu não gostasse dos livros de John Green, igual a todas as minhas redes sociais, YouTube e Tumblr, eu ainda acompanhava o autor. Ele sempre foi uma pessoa
Eu cresci, John Green cresceu
"Tártarugas Até Lá Embaixo" foi o último romance que li do autor e, igual aos seus predecessores, a trama é interessante, mas certamente faltou algo para que eu realmente me deleitasse com o livro. Sinceramente, não lembro exatamente muito dos personagens ou da história, e sequer lembro do que eu não gostei dele, mas pelo menos está lido.
Assim como eu, John Green se distanciou da ficção e acabou indo para a não-ficção. Nessa mesma época, eu já estava pensando na faculdade e, depois de alguns anos, comecei a graduação. Foi ali que precisei ler mais obras do gênero não ficcional. Então, o autor lançou, ao longo dos anos, duas obras, uma das quais eu considero a melhor dele até o momento.
Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra
Curiosamente, li este livro este ano — e eu nem lembrava que o autor iria lançar um novo em 2026. Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra foi uma escolha um tanto inusitada para mim. Tinha me distanciado de autores que li na pré-adolescência, mas eu sabia que, durante a pandemia, Green tinha escrito um livro bem interessante. Basicamente, ele dá notas a coisas mundanas.
Quem iria ler um livro assim? Muita gente, aparentemente. O livro vendeu 57 mil cópias e ainda tinha um podcast homônimo apresentado pelo autor. Definitivamente, era popular. Eu decidi baixar despretensiosamente no meu Kindle e lia nas horas vagas, quando pegava o transporte público, afinal os capítulos eram curtos — talvez 5 páginas no máximo — e ele acabou me ajudando a sair de um "reading slump", aquele sentimento de que você quer ler algo, mas nada te fisga.
Isso era exatamente o que eu precisava. Não só para voltar a ler depois de terminar os cinco livros de Game of Thrones em menos de um ano, mas também para retornar a John Green.
Assim como falei antes, John Green tem um estilo bem único de escrever, e talvez eu tenha pegado emprestado muito o jeito dele escrever inconscientemente. Acho que até essa coluna que criei para o site é inspirada, de certo modo, em Green (e Sex & the City). Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra é um tipo de livro no qual é necessário apenas mergulhar sem esperar nada, sem ler nada relacionado a ele, e com o qual certamente você se conectará de algum modo.
Depois disso, baixei também "Tudo é Tuberculose: A história e a reincidência da nossa infecção mais mortal", outra não-ficção do autor que ainda não tive tempo para ler, mas que sei que vou gostar.
Questão é: John Green cresceu e eu também. Precisamos sair de ficção e romance e ir para a não-ficção para realmente nos acharmos no jeito da escrita e até na vida. É exatamente por isso que fiquei e continuo tão ansiosa para o lançamento de "Um Final de Cinema".
Cinema
Um Final de Cinema chega em 1º de outubro pela Editora Intrínseca. Enquanto eu aguardo ansiosamente a chegada da minha cópia do livro, fico também imaginando como a escrita de Green, ao ter passado pela não-ficção, deve ter evoluído nesses anos.
No entanto, a premissa de "Um Final de Cinema" é ainda algo único na vida do autor, já que o livro é visado para o público adulto em vez do normal Jovem Adulto (Young Adult), o que sugere tramas ainda mais complexas e profundas em comparação a suas obras anteriores.
"Dois atores em ascensão que precisam lidar com a vida pública e a pressão de construir uma carreira em um ambiente muitas vezes predatório enquanto gravam a cinebiografia sobre o último ano de vida de Warhol," diz a sinopse.
Publicado em 22 de setembro no Canadá e EUA, "Um Final de Cinema" já vendeu (ou, pelo menos, as cópias assinadas pelo autor). Com a popularidade em vendas e a carreira que precede, não ficaria surpresa em ver uma adaptação sendo anunciada em breve, ainda mais que o autor já carrega uma "carreira" cinematográfica. Ele ainda vende.
Enquanto adaptar obras literárias sempre foi o forte de Hollywood, só em meados dos anos 2010 esse gênero foi um boom entre os pré-adolescentes e adolescentes. Isso faturava muito! Pense em "Jogos Vorazes", "Divergente", os filmes baseados nas obras de John Green, claro, "Crepúsculo" e até "Cidade de Ossos". Todos eles marcaram aquela época.
Desde então, diversos livros vêm sendo adaptados em volumes, ainda mais porque a indústria literária está crescendo, seja por fanfics que se tornaram livros e depois filmes, ou então obras de romance. Pense em "Heartstopper", "O Verão que Minha Vida Mudou", "A Hipótese do Amor", "Pessoas Normais", "Vermelho, Branco e Sangue Azul", "Wicked", e muito mais.
Então, é fácil falar que a nova obra de Green fará tanto sucesso quanto, e, de certo modo, cria uma brisa no ar de nostalgia também. Com trends sempre retornando às redes sociais, a fase Tumblr tem sido uma delas, seja com o soft grunge, o resgate de 2016 com o filtro Los Angeles, ou até leitores buscando livros dessa época para ler. O autor, obviamente, faz parte disso — e o BookTok adora.