EUA restringem vistos de 27 autoridades de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru por corrupção e narcotráfico
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (28) restrições de entrada no país contra 27 autoridades e ex-autoridades de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru em uma nova ofensiva contra corrupção e narcotráfico na América Latina. As medidas incluem a revogação de vistos já concedidos e a proibição de emissão de novos documentos e atingem também familiares dos alvos.
Segundo o Departamento de Estado, a iniciativa coloca em prática compromissos assumidos pelos países que integram o chamado Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação regional contra o narcotráfico, o crime organizado e outras ameaças à segurança. Autoridades brasileiras não foram atingidas pelas novas restrições.
Medida atinge diversas autoridades
A maior parte das ações anunciadas nesta segunda-feira envolve a Bolívia. Os Estados Unidos revogaram os vistos de 12 bolivianos e de seus familiares, entre eles promotores, juízes, magistrados, um coronel da polícia, um ex-ministro da Justiça, um ex-presidente da Alfândega Nacional e um empresário. Outros nove bolivianos que não possuíam vistos americanos foram considerados, de maneira geral, inelegíveis para recebê-los.
Na Colômbia, Washington revogou os vistos da senadora Martha Isabel Peralta Epieyú, ligada ao partido de esquerda Pacto Histórico, e do empresário Euclides Antonio Torres Romero, proprietário de um conglomerado com atuação principalmente nos setores de energia, sinalização de trânsito e iluminação pública.
No Equador, duas pessoas e seus familiares tiveram os vistos revogados, mas o Departamento de Estado não divulgou suas identidades.
No Peru, a medida atingiu Juan Carlos Núñez Matos, juiz do Primeiro Tribunal Constitucional de Lima.
Procurador-geral da Bolívia também é punido
Separadamente, o Departamento de Estado anunciou uma designação contra o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, por seu suposto envolvimento em um caso de corrupção. O governo americano afirma que Mariaca solicitou e recebeu propinas para facilitar atividades do narcotráfico e ajudou criminosos violentos a escapar da Justiça.
A designação torna Mariaca e seus familiares, de maneira geral, inelegíveis para entrar nos Estados Unidos. Mariaca foi eleito procurador-geral em 2024, durante o governo do então presidente socialista Luis Arce, e recebeu um mandato de seis anos.
Medidas vêm dias após reunião do Escudo das Américas
As restrições foram anunciadas dias depois de os países participantes do Escudo das Américas reafirmarem, em uma declaração conjunta tornada pública no dia 22, o compromisso de coordenar sanções, designações e medidas financeiras contra organizações e pessoas envolvidas com terrorismo, narcotráfico e outras atividades criminosas que ameacem a segurança e o Estado de Direito na região.
A declaração colocou 24 organizações criminosas na mira da iniciativa. Entre elas estão as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), além do Tren de Aragua, da Venezuela, do MS-13, de El Salvador, e de cartéis mexicanos. O Brasil não integra o Escudo das Américas.
No comunicado desta segunda-feira, o Departamento de Estado vinculou diretamente as novas restrições aos compromissos assumidos pelo Escudo das Américas.
“Autoridades corruptas, e os criminosos que elas protegem, não são bem-vindos nos Estados Unidos”, afirmou o Departamento de Estado.