Flávio admite eventual disputa com Tarcísio em 2030 se Bolsonaro continuar inelegível

6 de Nov de 2026 - 20:10
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Flávio admite eventual disputa com Tarcísio em 2030 se Bolsonaro continuar inelegível

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030 com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), continue inelegível.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (6), o senador afirmou que poderá concorrer se tiver o aval do PL.

"Todos podem se candidatar. Se houver eleição antes, tenho esse direito; em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar", declarou.

Ao comentar a possibilidade de Tarcísio disputar o Planalto, Flávio disse que conversou com o governador depois das eleições.

"Falei que, se tiverem novas eleições, eu sou candidato." Sobre o reconhecimento da vitória de Lula pelo governador paulista, afirmou: "Eu não concordo, não sou obrigado a concordar com tudo que ele fala".

O senador afirmou que Jair Bolsonaro continua sendo sua primeira opção para a disputa presidencial. "Se ficar elegível, é o meu candidato", declarou.

Flávio mantém pai como primeira opção para 2030

Apesar de admitir uma candidatura própria, Flávio afirmou que pretende apoiar Jair Bolsonaro caso o ex-presidente recupere os direitos políticos.

O ex-presidente está inelegível por decisões da Justiça Eleitoral e cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por suposta "tentativa de golpe de Estado".

O senador também deixou em aberto a possibilidade de uma nova eleição antes de 2030.

Ao comentar o cenário político, afirmou que não sabe se o atual governo chegará ao fim do mandato sem enfrentar uma crise institucional.

A eventual candidatura de Flávio dependerá do posicionamento do PL e das condições políticas até a próxima eleição presidencial.

Tarcísio, por sua vez, também aparece como um dos nomes cotados no campo da direita.

Senador critica retorno de Jair Bolsonaro ao Brasil

Flávio classificou como um erro a decisão de Jair Bolsonaro de retornar ao Brasil em março de 2023, depois de passar três meses nos Estados Unidos.

O ex-presidente voltou ao país e, posteriormente, enfrentou processos judiciais que terminaram em sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro", declarou.

O senador justificou sua permanência nos Estados Unidos com críticas ao Judiciário brasileiro.

"Não vou legitimar processo ditatorial comandado pelo [ministro do STF] Alexandre de Moraes", afirmou.

Flávio também criticou a atuação do STF, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Sobre as instituições, afirmou que o TSE está "dominado" pelo governo e que a PF e o Ministério Público estão "aparelhados".

Permanência nos EUA não significa renúncia ao mandato

O senador afirmou que ainda não decidiu em qual estado americano pretende morar com a família. Disse que gostaria de estar no Brasil, mas que utilizará reservas financeiras para se manter no exterior.

"Sou parlamentar desde os 21 anos, empresário e advogado. Minha principal renda vem da advocacia", declarou.

Flávio descartou renunciar ao mandato no Senado e afirmou que participará das sessões legislativas virtualmente sempre que houver essa possibilidade.

Questionado sobre quem organizou e financiou sua viagem aos Estados Unidos, respondeu: "Não vou falar sobre isso".

Também negou qualquer relação com o governo de Israel e disse que não procurou integrantes da administração americana desde que chegou ao país.

Impeachment de Alexandre de Moraes

Na entrevista, Flávio voltou a defender o impeachment de Alexandre de Moraes. Questionado sobre o envolvimento da mulher do ministro em um contrato com o Banco Master, afirmou que o pedido não deveria se limitar a esse episódio.

"Não só por causa do Vorcaro, por tudo. Ninguém está acima da lei no Brasil", declarou.

O senador também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por não pautar os pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Ao comentar a carta divulgada por aliados na qual se apresentava como "presidente eleito do Brasil", Flávio afirmou que o documento passou por alterações. "Eu já revi essa parte. Eu não sei por que ela acabou se tornando pública", disse.

Críticas à condução das eleições

Na entrevista, Flávio afirmou que não dispõe de provas de fraude na eleição presidencial de 2026, mas atribuiu essa ausência à impossibilidade de investigar o assunto.

"Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto", declarou.

O parlamentar manteve as críticas à atuação da Justiça Eleitoral e disse que o PL pretende questionar a vitória da chapa de Lula e Geraldo Alckmin (PSB) por suposto abuso de poder econômico.