Flávio diz que Lula usou “amigos no Judiciário” para censurar debate
Após a TV Globo cancelar o debate presidencial desta quinta-feira (1º), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de usar “amigos no Judiciário” para impor o que chamou de “censura” ao confronto. A crítica ocorreu depois de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibir a exibição de um púlpito com o nome de Lula e perguntas dirigidas ao candidato ausente.
Em live realizada no horário em que participaria do debate, Flávio afirmou que estava preparado para comparecer ao confronto e criticou as decisões tomadas a poucos minutos do início do programa.
“Então, o Lula não só não vai no debate, como ele usa os seus amigos no Judiciário, para impor a censura ao debate da Rede Globo. É muito triste, revoltante o que está acontecendo”, afirmou.
Segundo o candidato do PL, as decisões judiciais representaram “a censura, no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha”.
“Decisões subsequentes, seguidas, a poucos minutos do debate, instaurando oficialmente a censura nessas eleições. A proibição de se mostrar o púlpito do candidato ausente, Lula, uma decisão obrigando a Globo a retirar o púlpito de lá. E pior do que isso, determinando que os candidatos presentes não pudessem fazer perguntas ao Lula”, afirmou.
Lula havia decidido não participar do debate da Globo. O presidente também não participou dos demais debates realizados entre os candidatos no primeiro turno, segundo o histórico informado pelas campanhas. Para esta quinta-feira (1º), ele tinha uma entrevista marcada com o Flow Podcast às 20h45.
Mais cedo, antes do cancelamento do debate por parte da Globo, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a emissora não exibisse um púlpito vazio identificado com o nome de Lula. A decisão também proibiu perguntas dirigidas ao candidato ausente.
A medida atingiu o acordo previamente estabelecido para o confronto. Segundo as regras do debate, assinadas pelas campanhas dos candidatos, incluindo a do PT, o espaço reservado ao candidato ausente permaneceria vazio e identificado. Em uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes também poderiam formular, em 30 segundos, a pergunta que fariam ao candidato que não comparecesse.
Flávio faz apelo por voto útil e promete reforma do Judiciário
O cancelamento do debate da TV Globo ocorreu em meio a uma disputa acirrada entre Lula e Flávio. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta, mostrou Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio.
A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Augusto Cury (Avante) aparece com 4%; Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com 3% cada; e Romeu Zema (Novo), com 1%.
No segundo turno, Lula aparece com 48%, contra 45% de Flávio. A diferença de três pontos percentuais também está dentro da margem de erro.
Na live, Flávio também transformou o episódio em um apelo eleitoral. O candidato pediu que os eleitores votem nele já no primeiro turno e afirmou que a eleição seria uma escolha entre a democracia e o que classificou como interferência do Judiciário.
“A única chance de o Brasil voltar a ter uma democracia é com Flávio Bolsonaro presidente. E não vamos parcelar o seu voto em duas vezes. Vamos votar de uma vez só nesse domingo”, afirmou.
Flávio também disse que pretende indicar ministros para o Supremo Tribunal Federal caso seja eleito.
“Somente Flávio Bolsonaro tem condições de vencer o Lula já no primeiro turno para começar a consertar esse país a partir da próxima segunda-feira, para impor uma derrota a esse sistema e me dar a oportunidade de indicar ministros para a Suprema Corte desse Brasil”, declarou.
O candidato afirmou ainda que pretende indicar “homens e mulheres que sejam decentes, que tomem decisões conforme a lei, conforme a Constituição, que não sejam asseclas do Lula”.
O levantamento do Datafolha, contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.506 eleitores com 16 anos ou mais entre 28 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08039/2026.