Google cresce 25%, mas lucro cai 25% e ações despencam após balanço
A Alphabet, dona do Google, divulgou na quarta-feira (28) o balanço do terceiro trimestre de 2026. A receita foi de US$ 127,6 bilhões, alta de 25% em um ano, e o lucro líquido, de US$ 26,2 bilhões, queda de 25% sobre os US$ 35 bilhões do mesmo período de 2025. Em reais, pela cotação de hoje, a receita equivale a R$ 682 bilhões e o lucro a R$ 140 bilhões.
Nas bolsas, a ação classe C (GOOG) abriu a quinta-feira (29) em queda de 11,88%, a US$ 283,66, contra US$ 321,89 no fechamento de quarta, e o valor de mercado recuou a US$ 3,48 trilhões.
O resultado veio abaixo do que Wall Street esperava para a publicidade de busca. Assustou também o investimento de US$ 51,4 bilhões em três meses, que preocupa quem teme que a aposta em data centers de IA demore a se pagar.
Por que o lucro do Google caiu com a receita em alta?
Fora da operação está a explicação, já que o lucro operacional subiu 30%, para US$ 40,6 bilhões, com margem de 31,8%.
O que mudou foi a linha de outras receitas, que registrou perda de US$ 8,7 bilhões em participações acionárias, contra ganho de US$ 10,7 bilhões um ano antes, quando a carteira de investimentos da empresa se valorizou. Sem esse efeito, o lucro teria acompanhado a receita.

a US$ 283,66, contra US$ 321,89 na véspera. Foto: Reprodução/Google Finance
No trimestre anterior, o mesmo mecanismo jogara a favor. Ganhos não realizados de US$ 98 bilhões em ações de outras empresas inflaram o lucro para US$ 112 bilhões. É contra aquele número, e não contra a operação, que o terceiro trimestre parece fraco.
Confira os números:
Linha 3º tri de 2025 3º tri de 2026 Variação Receita total US$ 102,3 bi US$ 127,6 bi +25% Busca e outros US$ 56,6 bi US$ 63,4 bi +12% Anúncios do YouTube US$ 10,3 bi US$ 11,2 bi +9% Assinaturas e dispositivos US$ 12,9 bi US$ 14,3 bi +11% Google Cloud US$ 15,2 bi US$ 30,7 bi +103% Lucro operacional US$ 31,2 bi US$ 40,6 bi +30% Lucro líquido US$ 35,0 bi US$ 26,2 bi -25% Investimento (capex) US$ 24,0 bi US$ 51,4 bi +114%
Google Cloud dobra de tamanho em um ano
O destaque positivo foi a nuvem. A receita do Google Cloud passou de US$ 15,2 bilhões para US$ 30,7 bilhões, com lucro operacional de US$ 11,1 bilhões, três vezes o de um ano atrás.
Quem puxou foi a venda de infraestrutura de IA e dos chips TPU a outras empresas. Segundo a Alphabet, a companhia opera agora em ritmo anual de meio trilhão de dólares em receita.
“Tivemos um trimestre forte e agora operamos em um ritmo anual de receita de meio trilhão de dólares.” Sundar Pichai, CEO da Alphabet
Gemini chega a 1 bilhão de usuários por mês
Já o app do Gemini atingiu 1 bilhão de usuários mensais, e as APIs dos modelos processam 32 bilhões de tokens por minuto, mais que o quádruplo de um ano antes. Pichai citou o Gemini 4 Argon e o Carbon.
Ambos estariam na fronteira do setor. O AI Mode e os resumos de IA na busca, segundo a empresa, seguram o usuário três vezes mais tempo no Google do que a busca tradicional.

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Busca cresce 12%, mas a ação cai 11,88% e perde US$ 470 bilhões
Na busca, a receita subiu 12%, para US$ 63,4 bilhões, e a Alphabet afirma que o volume de consultas teve o maior crescimento em cinco anos. Para os analistas, porém, ficou aquém. A dúvida é se os anúncios dentro das respostas de IA, que o Google acaba de liberar em dez novos mercados, vão render o mesmo que os links azuis.
A punição do mercado foi rara para uma empresa que vale mais de US$ 3 trilhões. Aos US$ 283,66 das 10h39 de Nova York, a GOOG oscilava entre US$ 278,29 e US$ 284,76, 30% abaixo da máxima de 52 semanas, de US$ 404,44, e a poucos dólares do piso do período, de US$ 271,41. O tombo de 11,88%, que começou no pregão estendido de quarta, tirou cerca de US$ 470 bilhões em valor de mercado em uma manhã.
Com US$ 51,4 bilhões de capex no trimestre, mais que o dobro de um ano antes, a empresa mostra que não pretende frear os data centers, e mantém o dividendo de US$ 0,22 por ação, com pagamento em 14 de dezembro. O P/L de 14,81 na abertura é nível de empresa madura, embora o mercado trate a Alphabet como aposta em IA.
Fonte(s): Alphabet (SEC), Alphabet (release) e 9to5Google e Google Finance