Influencer denuncia ameaças de morte após declarar voto nas redes sociais

16 de Out de 2026 - 14:40
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Influencer denuncia ameaças de morte após declarar voto nas redes sociais

O influenciador e jornalista Mateus Fernandes, de 26 anos, denunciou, na última segunda-feira (12), o recebimento de ataques e ameaças de morte nas redes sociais após declarar voto ao presidente Lula nas eleições de 2026. O caso foi levado à Polícia Civil e ao Ministério Público, que analisa a representação.

Nas redes, Mateus cria conteúdos há cinco anos para promover debates sobre questões raciais e ambientais da realidade das periferias, alcançando 2 milhões de acessos mensais.

À CNN Brasil, o influenciador contou que as intimidações começaram após o primeiro turno das eleições, quando ele declarou apoio à reeleição do presidente Lula, e criou uma campanha de “vira-voto” com mais de 500 outros criadores de conteúdo.

Segundo Mateus, os comentários eram de cunho racista e propagavam intolerância religiosa. Mateus também apontou referência a discursos de supremacia branca e nazismo em parte das ameaças. Veja:

Comentários direcionados ao influenciador fazem referência à discursos de supremacia branca. • Arquivo pessoal

“Algumas delas tinham referência à organização de ódio de supremacia branca, a Ku Klux Klan, e também a exaltação de um comandante de campo de concentração de extermínio nazista, defendendo a construção de um país racialmente puro”, afirma Mateus.

No dia 7 de outubro as ameaças se intensificaram, já que Mateus teve seu endereço exposto em comentário de uma publicação no Facebook. O autor original excluiu o conteúdo, mas os dados de Mateus continuaram circulando e ele precisou sair da própria casa. Ao todo, foram oito ameaças de morte registradas.

Comentários direcionados ao influenciador fazem referência à discursos de supremacia branca. • Arquivo Pessoal

Mateus também conta que essa não é a primeira vez que sofre ameaças em época de eleições.”Em 2018, durante a campanha eleitoral do Jair Bolsonaro, eu recebia diversos ataques nas minhas redes sociais, mas essa onda ganhou uma dimensão muito mais grave oito anos depois”, disse à CNN Brasil.

Em vídeo publicado nas redes sociais, ele fala sobre o medo de estar na própria casa ou de sair na rua.

“Eu estou com receio de andar sozinho na rua, eu não estou na minha casa, estou gravando vídeos e deixando agendados enquanto eu estou em outro endereço. Eu não consigo andar na rua sozinho, com medo de alguém estar me perseguindo”, diz Mateus na publicação. Veja:

Créditos: @omateuso

Busca por ajuda

Mateus decidiu, em 11 de outubro, denunciar os comentários com ameaças publicados no Facebook à Meta e solicitou orientações, mas afirma não ter obtido resposta até o momento. No dia seguinte, ele registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Digital de Crimes Cibernéticos por ameaças de morte e tortura, racismo, intolerância religiosa e apologia ao nazismo.

“Eu espero que a solicitação primordial de medidas de proteção avance com urgência para que eu possa voltar a circular com segurança, ter a minha vida de volta. Eu espero muito que as provas digitais sejam preservadas antes que desapareçam. E apesar de serem perfis fakes, que a gente consiga encontrar o autor desses fatos”, contou Mateus à CNN Brasil.

A defesa do influenciador, representada pelo advogado Thiago Farias, levou o caso ao MPSP (Ministério Público de São Paulo), com pedido de preservação das provas digitais e identificação dos responsáveis, além de encaminhamento à DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).

Na representação, o advogado reuniu 13 capturas de tela e apontou indícios de que os ataques possam ter ocorrido de maneira coordenada. Uma nova análise das publicações recentes do influenciador está sendo realizada pela defesa para identificar possíveis ameaças adicionais e registrá-las.

Em nota, o MPSP afirmou que a representação está sendo analisada pela promotoria de Justiça dos Direitos Humanos da Capital.

A CNN Brasil tenta contato com a Polícia Civil e com a Meta. O espaço segue aberto.

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