Líder da esquerda do Equador, derrotada por Noboa nas eleições, é presa

22 de Out de 2026 - 12:20
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Líder da esquerda do Equador, derrotada por Noboa nas eleições, é presa

A líder esquerdista Luisa González foi presa na madrugada desta quinta-feira (22) pela Polícia Nacional do Equador, a cinco semanas da realização de eleições locais.

Segundo informações da agência EFE, a detenção ocorreu em Canuto, na zona rural da província de Manabí, onde González cresceu, segundo confirmou a divisão da polícia nessa jurisdição sem dar mais detalhes, já que a operação foi realizada por agentes enviados diretamente da capital, Quito.

No X, o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), padrinho político de González, fez uma série de posts para criticar a prisão. “Prenderam Luisa González. Já chega!”, afirmou.

Em outros posts, Correa chamou os responsáveis pela prisão da aliada de “palhaços” e “miseráveis”.

“Não sobrou mais ninguém decente no sistema de Justiça? Será que está tudo tão podre assim?”, acusou.

Também no X, o ex-presidente colombiano de esquerda Gustavo Petro (2022-2026) disse que o Equador se transformou em “uma verdadeira ditadura”.

González é investigada pelo Ministério Público por suposto financiamento irregular de suas campanhas eleitorais, motivo pelo qual foi inabilitada para ser candidata no pleito local, ao mesmo tempo em que o Revolução Cidadã, partido dela e de Correa, foi suspenso e impedido de participar das eleições.

O MP equatoriano informou por meio de redes sociais que na madrugada desta quinta-feira executou, junto da polícia, três ordens de prisão para formular acusações à Justiça por lavagem de dinheiro nas províncias de Manabí e Pichincha, cuja capital é Quito, sem especificar se entre os detidos está González.

O órgão declarou que, no âmbito do caso conhecido como Labirinto, investiga “possíveis irregularidades no financiamento político e no gasto eleitoral em publicidade durante a campanha presidencial de 2023, por inconsistências nas contribuições e na origem lícita dos recursos”.

Naquela eleição, realizada para definir quem completaria o mandato do então presidente Guillermo Lasso (que renunciou), e na de 2025, González foi derrotada em segundo turno por Daniel Noboa.

No início deste ano, González foi acusada de envolvimento no denominado caso Caja Chica, no qual o MP atribui um suposto crime de organização criminosa para lavagem de dinheiro, ao alegadamente ter financiado a campanha das eleições de 2023 com dinheiro em espécie vindo da Venezuela.

Em decorrência disso, o Revolução Cidadã foi suspenso em março pelo Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) a pedido do MP, em uma ação que o correísmo denunciou como perseguição política por parte do governo Noboa para deixá-los de fora das eleições locais, marcadas para 29 de novembro.

Após isso, González tentou, sem sucesso, se candidatar para concorrer à prefeitura de Manabí, apoiada pelo partido indigenista Pachakutik, braço político da Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie).