Mesários de escola em São Paulo relatam pressão para encerrar votação
São Paulo – Em relatos ao Metrópoles, alguns mésarios que estavam trabalhando nas eleições deste domingo (25/1) em São Paulo disseram ter sido pressionados a encerrar a votação em diversas ocasiões. A primeira vez foi antes das 17h, quando o encerramento ainda seria o horário normal, e depois pouco antes das 18h, quando já havia a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de estender a votação até às 19h.“Quando faltavam poucos segundos antes de fechar a votação, por volta das 16h59 e 59 segundos, já começaram a passar para gente fechar todas as urnas”, afirmou uma das mesárias de um colégio onde a reportagem esteve na Vila Mariana.A mesma então afirmou que uma mulher que havia sido presidente de uma sessão em outras eleições nunca tinha visto uma postura parecida: “Nunca aconteceu. Foi sempre normal. Inclusive, a gente às vezes até fecha depois das 17h, porque quando chega aqui eles falam (em outras ocasiões): ‘Espera exatamente até as 17h, porque se até as 5 tiver entrando o eleitor, eles podem ter direito de votar depois das 17h'”, relatou.Uma outra mesária relatou que, pouco tempo tempos da ordem de fechar as urnas antes mesmo das 17h, a direção mudou para que todas permanecessem abertas: “No entanto, por volta das 17h05 as mesmas pessoas voltaram informando que as urnas não poderiam ter sido encerras, pois a votação continuaria”.Além das urnas, os relatos apontam que até mesmo os portões da sessão eleitoral estavam sendo fechados antes do horário comum: “Eles estavam fechando o portão um pouco antes. Um pouco antes das 17h, uns 10 minutos antes já estava fechando esse portão aqui”. Leia também BrasilLula é reeleito, bate votação de 2022 e ultrapassa 64 milhões de votos São PauloVirada de Lula na apuração gera gritaria e fogos de artifício em São Paulo São PauloSão Paulo tem gratuidade estendida até 0h no metrô e 22h na CPTM no domingo São PauloCavalaria da PM chega à Avenida Paulista durante apuração da eleição “E depois das 17h, que fechamos normalmente, veio (alguém) falando que não podia ter fechado porque estava tendo a decisão se ia continuar as eleições ou não. Aí a gente já tinha fechado tudo, imprimindo todos os boletos, todo mundo tinha assinado e tirado, inclusive, a mídia de votação e esperando. Aí passou (alguém) e falou que a gente ia ter que ficar até as 19h, e que a votação ia ser por cédula”, completou.Segundo momento de pressãoOs mesários também relataram que cerca de 40 minutos após essa primeira confusão, na qual estava reestabelecida a reabertura das urnas, os mesários afirmam que as mesmas pessoas voltaram a passar, dizendo que o colégio não iria acatar a decisão do STF de estender o prazo até às 19h. “Quando faltava pouco para às 18h, vieram passando de novo que não ia acatar a votação do ministro (Zanin), que era para devolver as urnas, que aqui em São Paulo não ia acatar as urnas e que era para todo mundo descer com as urnas e foi o que a gente fez”, relataram.