Mortes na UTI: coleta de provas acaba e juiz decide se técnicos vão a júri

27 de Set de 2026 - 05:10
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Mortes na UTI: coleta de provas acaba e juiz decide se técnicos vão a júri

A Justiça do Distrito Federal deve decidir nos próximos dias o futuro dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, denunciados pelas mortes de três pacientes entre novembro e dezembro de 2025 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).A primeira fase de instrução, que inclui coleta de provas e depoimentos terminou na última quinta-feira (24/9). Agora, o juiz irá analisar o caso que foi apresentado nas alegações finais e decidir se há base legal suficiente para mandar os réus para o Tribunal do Júri ou se o caso terá outro desfecho.Na decisão, o juiz do caso poderá optar por seguir quatro caminhos: pronúncia, impronúncia, desclassificação e absolvição sumária.Possíveis caminhos para o processo dos técnicos de enfermagem:Pronúncia: Caso o juiz entenda que existem indícios suficientes de autoria e prova de que o crime aconteceu, os réus vão para júri popular. Impronúncia: O juiz pode optar por esse caminho caso não haja provas suficientes da autoria ou da materialidade do crime para enviar o réu a julgamento. Nesse caso, o processo seria encerrado, podendo ser reaberto no futuro caso surjam novas provas.Desclassificação: O juiz pode desclassificar a denúncia do crime homicídio doloso (quando não há intenção de matar), e entender que o crime foi de outra natureza, como por exemplo, lesão corporal seguida de morte. O processo deixaria de ir para o Tribunal do Júri e passaria a ser julgado por um juiz comum.Absolvição Sumária: O juiz reconheceria que os réus são inocentes e seriam absolvidos antes mesmo de ir a júri.No fim de maio e início de junho, mais de 32 testemunhas foram ouvidas durante audiência de instrução realizada no Tribunal do Júri de Taguatinga.Os três técnicos de enfermagem foram os últimos a serem ouvidos e nenhum dos acusados admitiu participação nas mortes. No seu depoimento, o técnico Marcos Vinícius detalhou o contato que teve com as vítimas e afirmou que elas tiveram piora no estado de saúde.Em seu depoimento, Marcela Camilly chorou ao falar que não fazia ideia do que teria acontecido com as vítimas e disse que confiava no treinamento de Marcos Vinícius porque todos gostavam dele. Ao ser indagada se Marcos teria utilizado a presença dela para cometer os crimes sem ser descoberto, Marcela confirmou que sim.“Fiquei muito nervosa quando fui para a delegacia. Não sabia o motivo e ninguém me explicava. Disseram que eu voltaria para casa, mas eu não voltei”, falou Marcela.Terceira a depor, a técnica Amanda Rodrigues de Souza contou que tinha a expectativa de que Marcos assumisse a responsabilidade e tirasse dela e de Marcela a culpa pelos crimes. “Esperávamos que ele falasse a verdade e que desse uma explicação para todos, para vocês advogados, para a população, para a mídia. Sou ameaçada de morte no presídio e falam que vão fazer comigo o que foi feito com as vítimas.” Leia também Distrito FederalJustiça mantém presos técnicos acusados de matar pacientes no DF Distrito FederalVeja as versões em depoimento de técnicos acusados de mortes em UTI Distrito FederalPromotor sobre técnicos de enfermagem: “Os três agiram para matar” Imagens embasaram a denúnciaAs imagens divulgadas em primeira mão pelo Metrópoles foram essenciais para a denúncia das três mortes de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).Registros feitos pelas câmeras de segurança do hospital mostram o momento em que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, prescreve uma substância utilizando o login de uma médica que não estava no plantão, retira o medicamento na farmácia do hospital e aplica injeções intravenosas nos pacientes.Conforme a investigação, o remédio utilizado foi letal para as vítimas.4 imagensFechar modal.1 de 4Câmeras de segurança do hospital mostram o momento em que o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, prescreve substância letal Material cedido ao Metrópoles2 de 4Técnico foi preso em ação da Polícia Civil do DF após denúncia do hospitalMaterial cedido ao Metrópoles3 de 4Técnicos acessavam sistemas com senhas de médicosMaterial cedido ao Metrópoles4 de 4Três técnicos de enfermagem foram presos após aplicarem substância letal em pacientesMaterial cedido ao MetrópolesOutra envolvida, a técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, também aparece em uma das imagens manuseando a substância letal, envolto num pacote laranja, na farmácia da unidade.No dia 12 de março, Ministério Público (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar e também por cinco tentativas de homicídio.Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.Relembre o casoEm 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.Àquela altura, porém, o caso ainda não havia sido revelado. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição estranhar os óbitos e identificar um padrão de semelhança entre os casos.Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, teriam injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75.Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.Quem eram as vítimasMarcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.Após cirurgia, o paciente apresentou complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.3 imagensFechar modal.1 de 3Marcos Moreira era servidor dos CorreiosReprodução/Instagram2 de 3João Clemente Pereira tinha 63 anos Material cedido ao Metrópoles3 de 3Outra vítima do trio foi a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anosReprodução/ SinproOs técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro e aguardam a Justiça decidir os próximos passos. Durante o processo, vários pedidos de prisão foram negados pela Justiça do DF.