Mundo vive uma expansão energética, não transição, diz Lucas Di Grassi

3 de Out de 2026 - 07:00
 0  0
Mundo vive uma expansão energética, não transição, diz Lucas Di Grassi

“Precisamos mudar o termo transição energética, vivemos uma expansão energética”. É assim que o empresário e ex-automobilista Lucas Di Grassi avalia o momento pelo qual passa a demanda global por energia.

“Todo ponto que produz energia é muito importante. Não é uma competição entre biocombustíveis, elétrico, fotovoltaico, nuclear. Como humanidade, vamos precisar de todo combustível”, afirma Di Grassi, um dos responsáveis por criar a Fórmula E, campeão da categoria e ex-embaixador do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) na causa do ar limpo.

Uma das figuras mais vocais sobre a descarbonização no meio do esporte, Di Grassi esteve no palco do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) nesta sexta-feira (2). Ele defendeu que o etanol e a matriz energética majoritariamente renovável do Brasil dão ao país alternativas importantes aos combustíveis fósseis.

Para o ex-piloto, diferentes alternativas de mobilidade serão mais adequadas a depender da região e do uso. “Acredito que o etanol será superimportante no aumento de produção energética no Brasil”, diz. “Precisamos usar mais carros elétricos, carros a etanol”, acrescenta, contrapondo as duas opções às fontes fósseis, que classifica como finitas e mais poluentes.

Leia também: Fórmula E ganha tração com carro elétrico na pista, nos negócios e na descarbonização

Segundo ele, o ciclo de carbono do etanol é neutro, já que a cana-de-açúcar absorve durante o crescimento o mesmo volume de CO2 que será emitido na queima do combustível. Isso não elimina, porém, os poluentes liberados pelo escapamento dos motores a combustão, que continuam afetando quem está próximo do veículo.

“No caso brasileiro, já temos uma matriz [elétrica] 85% renovável. Como nossa matriz é limpa, os carros elétricos não têm emissão de carbono na fonte”, diz. O cenário é diferente do de países em que a geração de energia depende mais de fontes não renováveis. Ele destaca ainda que muitos dos cálculos que atribuem emissões aos carros elétricos têm como base toda a cadeia, desde a mineração dos elementos usados na fabricação dos veículos.

Tecnologia das pistas para as ruas

Com 25 anos de carreira no automobilismo, Di Grassi acompanhou uma sequência de transformações tecnológicas nas pistas, da combustão para os híbridos, depois a chegada dos elétricos e, por fim, os avanços em direção autônoma.

“O que acontece nas pistas vai para o carro de rua. Turbo, freio a disco e até o espelho retrovisor foram feitos nas competições e depois de 3 a 10 anos se tornaram itens dos veículos comerciais. Por isso o automobilismo está tão à frente das tecnologias”, conta. Como se diz na indústria, “Win on Sunday, sell on Monday” (“vença no domingo, venda na segunda”, em tradução livre).

Uma das empreitadas mais recentes do empresário foi justamente na direção autônoma. Para Di Grassi, depois do amadurecimento dos elétricos, a vanguarda da tecnologia em mobilidade passou a ser os softwares capazes de conduzir veículos sem intervenção humana.

“Em 2018, criamos a empresa para criar um carro autônomo mais rápido que qualquer piloto na Terra. Um carro com IA mais rápido que o Hamilton ou qualquer ser humano”, contou. A inspiração citada por ele é o Deep Blue, primeiro computador a derrotar um campeão mundial de xadrez.

O processo funcionava em etapas. Primeiro, a inteligência artificial era treinada com base em corridas feitas por um piloto. Com os dados coletados, o sistema autônomo era atualizado para dirigir sozinho e chegar ao limite do carro. No primeiro dia, o veículo foi 35% mais lento que os pilotos. Quando Di Grassi deixou a empresa, o carro já tinha desempenho equivalente ao dos melhores pilotos do mundo.

Leia mais: Festival do agro GAFFFF deve movimentar mais de R$ 2 bilhões em dois dias

The post Mundo vive uma expansão energética, não transição, diz Lucas Di Grassi appeared first on InfoMoney.