O fundador que cria a empresa também a trava, diz Cristhiano Faé, CEO do B55

29 de Set de 2026 - 11:20
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O fundador que cria a empresa também a trava, diz Cristhiano Faé, CEO do B55

O fundador da Accera e cofundador e CEO do Instituto B55, Cristhiano Faé, abriu nesta terça-feira (29) a primeira edição da B55 Conference com um alerta aos empresários e executivos presentes: a mesma figura que cria e impulsiona uma empresa costuma ser também o principal obstáculo para seu crescimento.

Criado por Guilherme Benchimol, fundador da XP Inc (XPBR31), David Vélez, fundador e CEO do Nubank (ROXO34) e André Street, fundador da Stone (STOC31) e da Teya ao lado de Faé, o Instituto B55 se apresenta como uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de empresários brasileiros. A primeira edição da B55 Conference acontece em São Paulo nos dias 29 e 30 de setembro e espera 3 mil participantes.

Em um palestra dedicada aos desafios do empreendedorismo no Brasil, Faé afirmou que muitos empresários começam seus negócios movidos pela insatisfação com problemas do dia a dia e pela vontade de criar soluções, mas acabam enfrentando dificuldades para adaptar sua forma de gestão à medida que a empresa cresce. “A empresa nasce e cresce graças ao fundador. Mas também, muitas vezes, deixa de crescer por causa do fundador”, afirmou.

Segundo Faé, empreender no Brasil exige lidar simultaneamente com desafios regulatórios, trabalhistas, políticos e financeiros, em um ambiente marcado por juros elevados e alta complexidade operacional. Ainda assim, o executivo defendeu que a capacidade de agir apesar das dificuldades é uma das características que distinguem os empreendedores brasileiros.

Faé comparou a rotina do empresário a uma “montanha-russa”, marcada por oscilações constantes entre crescimento e incerteza. Em alguns momentos, disse, o empreendedor acredita ter construído um negócio capaz de dominar o mercado; em outros, teme não conseguir cumprir metas ou até manter a empresa funcionando.

Escalar exige mais do que “raça”

Um dos principais recados da abertura foi o de que esforço e dedicação são fundamentais na fase inicial de uma empresa, mas se tornam insuficientes quando o negócio começa a ganhar escala.

“Até certo ponto, operar o nosso negócio na raça funciona. Mas, com o passar do tempo, só isso não é mais suficiente”, disse.

Segundo o executivo, o crescimento empresarial se assemelha a uma escalada em que cada estágio traz novas complexidades e exige ferramentas, métodos e conhecimentos diferentes dos adotados nas fases anteriores.

Nesse contexto, ele argumentou que uma das responsabilidades centrais dos fundadores é compreender quais decisões precisam ser tomadas em cada momento da trajetória da companhia.

“O empreendedor com clareza se torna imbatível. Ele não se distrai. Tem metas claras. Encontra o time certo. Aloca recursos do jeito correto”, afirmou.

O foco está na execução

Ao apresentar a proposta do Instituto B55, Faé rejeitou a ideia de fórmulas prontas para o sucesso empresarial e afirmou que o aprendizado mais valioso ocorre quando empreendedores trocam experiências com outros empreendedores que já enfrentaram desafios semelhantes.

O executivo disse ainda que a execução é a etapa em que a maioria das empresas fracassa. “Mesmo tendo um plano super bacana, um produto maravilhoso, a maior parte das empresas para no caminho porque a execução falha”, afirmou.

Para ele, líderes empresariais precisam deixar de atuar apenas no microgerenciamento cotidiano e passar a coordenar pessoas, processos e recursos em torno de objetivos claros de longo prazo.

Ao encerrar a abertura, Faé afirmou que o propósito da organização é fortalecer empresas para ampliar o impacto do empreendedorismo no país. “A gente acredita que um Brasil muito mais forte é feito através de empreendedores e de empresas mais fortes. Para a gente mudar o Brasil, a gente precisa fortalecer quem realmente o constrói de verdade”, disse.

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