OCB defende o verde como valor e alerta contra barreiras anticompetitivas
Os acordos ambientais e de sustentabilidade internacionais devem reconhecer e valorizar os ativos e as boas práticas já praticadas nos países, em seus diferentes climas e biomas, evitando a armadilha de transformar os compromissos ecológicos em freios ao desenvolvimento. Na visão do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), os eixos prioritários da COP31, de 9 a 20 de novembro em Antália, Turquia, envolvem temas como energia, segurança alimentar, economia circular, financiamento e formação de novas gerações – áreas que já fazem parte da trajetória de transformação do cooperativismo. “Cooperar é implementar”, diz o “Manifesto do Coop para a COP31”, em linha com a mudança de foco da Presidência da conferência, que quer menos negociação de metas e mais resultados concretos.
O coordenador de Sustentabilidade da OCB, Alex Macedo, reforça que a conservação precisa gerar retorno real para quem produz. "A agenda de meio ambiente deve ser uma perspectiva de impulsionamento. O verde deve ser visto como um valor, e não como um custo. É preciso valorizar as boas práticas ambientais e o cuidado que a nossa agricultura já adota no cumprimento do Código Florestal. Por isso, defendemos instrumentos financeiros como o pagamento por serviços ambientais e o fortalecimento do mercado de carbono".
Na leitura de Macedo, as iniciativas de bioeconomia e circularidade precisam ter viabilidade econômica sustentável: "Quando se fala em bioeconomia, precisamos pensar em como essas agendas geram valor para o negócio e trazem resultado. Essa agenda precisa 'parar de pé' do ponto de vista econômico. Para isso, defender financiamento, seguros e incentivos adequados é fundamental para remunerar quem está fazendo a diferença na ponta".
Luta pelo reconhecimento de métricas tropicais
Outro pilar decisivo defendido pelo cooperativismo na COP31 é o reconhecimento de métricas tropicais. A OCB alerta para os riscos de aplicar padrões desenhados para modelos agrícolas de clima temperado em biomas tropicais como o brasileiro, o que gera distorções nas avaliações de desempenho ambiental.
Coordenador de Sustentabilidade da OCB, Alex Macedo: "cooperar é implementar"
"Quando somos medidos por uma régua em cuja construção não participamos, essa régua tende a privilegiar quem a desenhou. Na agricultura tropical, já temos práticas avançadas de baixo carbono, como o plantio direto e a rotação de culturas. Ao aplicar métricas de um modelo temperado para a agricultura tropical, a conta não fecha. As consequências são padrões de investimento desalinhados, mercados de carbono com dificuldade de aterrissar e potenciais entraves ao comércio", sublinha Macedo.
As cooperativas brasileiras defendem que a comunidade internacional coloque a ciência e as especificidades da produção tropical no centro dos debates regulatórios pra garantir mensurações justas e sem viés ideológico ou geográficos.
Alerta contra instrumentos anticompetitivos
Em relação estreita com as métricas, existe ainda o receio de que discursos ecológicos continuem a ser usados para mascarar medidas protecionistas. O Sistema OCB enfatiza no manifesto que a agenda ambiental precisa impulsionar o comércio internacional sustentável, sem criar barreiras injustificadas.
"Nós não somos favoráveis a que a agenda de meio ambiente seja utilizada como instrumento anticompetitivo. Cada país tem autonomia para definir suas regras, mas não podemos aceitar uma política comercial travestida de preocupação ambiental para criar barreiras e prejudicar a competitividade do nosso setor", sublinha o representante da OCB.
A OCB representa na COP31 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados, mais de 613 mil empregos diretos e presença em 3.425 municípios.
Siga este link para acessar na íntegra o posicionamento do cooperativismo na COP31.