OEA pede tranquilidade e respeito ao resultado das urnas no segundo turno
A OEA (Organização dos Estados Americanos) pediu neste domingo (25) que os brasileiros aguardem com tranquilidade os resultados oficiais do segundo turno e que as candidaturas respeitem a vontade expressa nas urnas.
A declaração foi feita pelo chefe da missão de observação eleitoral, José Miguel Insulza, ex-ministro das Relações Exteriores do Chile e ex-secretário-geral da organização, após uma visita a uma escola em Brasília (DF), onde foi realizado o teste de integridade das urnas eletrônicas.
“Também fazemos um apelo para que todos aguardem com tranquilidade os resultados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral e para que as candidaturas respeitem e aceitem a vontade cidadã expressa nas urnas”, afirmou Insulza.
O chefe da missão disse que, até o momento, a votação transcorreu com tranquilidade e em condições adequadas de segurança nos locais visitados pelos observadores. Ele também pediu que os eleitores chequem suas sessões eleitorais antes de ir as urnas.
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“Diante de eventuais mudanças de locais de votação ou de seções eleitorais devido às condições climáticas, convidamos a cidadania a consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral para confirmar seu local de votação”, afirmou.
A missão reúne 88 especialistas e observadores de 22 nacionalidades, distribuídos por 21 estados e pelo Distrito Federal, além de equipes em cidades no exterior.
Teste de integridade
Durante a visita, Insulza acompanhou o teste de integridade das urnas eletrônicas, procedimento de auditoria realizado no dia da eleição para verificar se os equipamentos registram corretamente os votos.
O teste consiste em digitar nas urnas votos previamente preenchidos em cédulas de papel e comparar os resultados eletrônicos com os registros das cédulas.
“Acabamos de observar a realização do teste de integridade, que constitui uma etapa de controle e, acreditamos, acrescenta transparência ao processo”, afirmou.
Insulza também destacou a estrutura técnica da Justiça Eleitoral brasileira. “O Brasil conta com um sistema eleitoral robusto, respaldado por reconhecida capacidade técnica e profissional e por ampla experiência acumulada em sucessivos processos eleitorais”, disse.
O chefe da missão ainda recomendou que os eleitores consultem os canais oficiais da Justiça Eleitoral para confirmar o local de votação diante de eventuais mudanças relacionadas às condições climáticas.
Debates e redes sociais
A missão também foi questionada sobre a atuação das redes sociais, especificamente da Meta. Um representante explicou que os especialistas acompanham decisões judiciais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do STF (Supremo Tribunal Federal), inclusive determinações relacionadas à retirada de conteúdos das plataformas.
“Temos um especialista em Justiça Eleitoral. Tudo isso vai estar no nosso relatório nos próximos dias”, afirmou.
O chefe da missão da Uniore (União de Organismos Eleitorais da América Latina), Hernán Penagos Giraldo, afirmou que o sistema de votação eletrônica brasileiro funciona bem e que a atuação das redes sociais nas eleições também será analisada no relatório de recomendações da organização, previsto para segunda (26) ou terça-feira (27).
Sobre possíveis interferências internacionais e a atuação da Meta nas redes sociais, Penagos disse que a missão recebeu relatos de representantes das campanhas e vai avaliar as informações antes de apresentar suas conclusões.
“O que fazemos é registrar os fatos, como o que você acaba de referenciar. Claro, alguns atores políticos das diferentes campanhas com quem nos reunimos advertiram circunstâncias derivadas desses fatos. O que faz a observação é recolher essa informação, verificar a incidência dela e, daqui para segunda ou terça-feira, em nosso relatório de recomendações, certamente algo se opinará a esse respeito”, afirmou.
O chefe da missão ressaltou que a observação internacional não substitui as autoridades eleitorais brasileiras nem tem competência para julgar casos específicos.
Sobre as urnas eletrônicas, Penagos destacou que o modelo brasileiro é singular na região e funciona bem em um país com um eleitorado de grande dimensão. “Acreditamos que funciona de uma maneira ótima no Brasil, em um país com mais de 150 milhões de eleitores”, declarou.