Peña chega ao Ministério Público do Paraguai para encontrar promotores
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, chegou à unidade do Ministério Público do Paraguai em Assunção neste sábado (7) para fazer sua primeira aparição desde que foi detido na sexta-feira (6).
Peña é acusado de ter participação no escândalo envolvendo o Ueno Bank e teve seu impeachment declarado na sexta-feira pelo Congresso Nacional do Paraguai. O ex-líder do Paraguai é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes relacionados à crise no país.
Em imagens capturadas pela emissora de TV local, NPY, é possível observar o ex-presidente deixando seu carro, acompanhado de uma equipe policial, antes de entrar no prédio, onde deve realizar depoimentos às autoridades.
A ordem de prisão foi assinada por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos. “As pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias”, destacaram.
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Promotores que falaram do lado de fora da casa de Peña, em Assunção, disseram que as acusações ainda estavam sendo definidas, mas poderiam incluir tráfico de influência.
A ordem do Ministério Público foi anunciada pouco tempo após o Senado aprovar o impeachment de Peña e destituir o presidente. O placar para a destituição foi de 44 votos a favor e uma abstenção. A Câmara dos Deputados já havia aprovado a movimentação um dia antes.
O antigo vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu a liderança do país após a retirada de Peña do poder ser confirmada.
Entenda a crise no Paraguai
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.