Qualidade do trigo piora, e só 23% atingem PH mínimo para farinha tipo 1

19 de Out de 2026 - 15:30
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Qualidade do trigo piora, e só 23% atingem PH mínimo para farinha tipo 1

A qualidade do trigo colhido em 2026 apresenta piora em relação ao ano passado, com redução do peso hectolitro (PH) e aumento da umidade dos grãos, segundo levantamento da Motomco, empresa que comercializa equipamentos de medição para o agronegócio.

Entre 1º de agosto e 13 de outubro, apenas 23,2% das leituras realizadas pela companhia atingiram o PH mínimo de 78 quilos por hectolitro (kg/hl), um dos requisitos para a classificação do cereal como Tipo 1. No mesmo período de 2025, a proporção era de 72%.

O levantamento reúne mais de 112 mil leituras de medidores conectados ao sistema da empresa. Os dados mostram que o PH mediano caiu de 80,2 kg/hl, em 2025, para 74,2 kg/hl neste ano. Já a umidade mediana subiu de 14,2% para 15,9% no mesmo intervalo.

O Paraná, estado que concentrou a maior parte das medições, registrou umidade mediana de 16,4%. No local, apenas 23,2% das leituras alcançaram o PH de 78 kg/hl exigido para o Tipo 1, mais comum e usado domesticamente e na indústria.

O peso hectolitro indica a relação entre o peso e o volume ocupado pelos grãos e funciona como um dos parâmetros de avaliação comercial do trigo. A classificação também considera outros critérios de qualidade, de modo que atingir o PH mínimo, isoladamente, não garante o enquadramento como Tipo 1.

A umidade elevada e a redução do PH podem afetar o valor comercial do cereal e limitar suas possibilidades de uso industrial. Dependendo das características dos grãos, o trigo pode deixar de atender às especificações necessárias para a fabricação de farinha destinada à panificação. Em casos de maior comprometimento da qualidade, o cereal pode ser direcionado à alimentação animal.

Chuvas mantêm risco para a qualidade

A preocupação se estende ao trigo que ainda está no campo. Com a colheita em andamento em parte da região Sul, especialmente nas áreas onde os trabalhos começaram mais tarde, novas chuvas podem ampliar os riscos de deterioração dos grãos.

Os produtores precisam avaliar se colhem o cereal com umidade elevada, o que pode exigir secagem e aumentar os custos, ou se aguardam condições mais favoráveis. A espera, porém, pode expor a lavoura a novos episódios de chuva e comprometer características importantes para a classificação comercial.

A evolução da qualidade ao longo da colheita também é relevante para a indústria moageira, que depende de trigo com características adequadas aos diferentes produtos finais. Lotes que não atendem às especificações exigidas para determinados usos podem ter menor valor comercial ou precisar ser destinados a outras aplicações.

O cenário ocorre em um ano em que a disponibilidade de trigo com qualidade adequada já está no radar da indústria brasileira. A deterioração dos grãos pode ampliar a necessidade de buscar lotes que atendam às especificações dos moinhos, independentemente do volume total colhido no país. Assim, pode haver um aumento na busca por trigo de maior qualidade em países exportadores, como Argentina e Paraguai.