Trump aposta em acordo com Cuba e diz que ação militar não deve ser necessária

27 de Set de 2026 - 10:30
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Trump aposta em acordo com Cuba e diz que ação militar não deve ser necessária

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acredita ser possível chegar a um entendimento com Cuba e indicou que, na avaliação dele, Washington não precisará recorrer às Forças Armadas contra o regime cubano.

Ao falar com jornalistas na Casa Branca, Trump disse esperar que os dois países alcancem algum tipo de acordo. “Eu diria que Cuba e nós faremos um acordo. Não acredito que precisaremos dos militares”, afirmou. O presidente acrescentou que pretende “ajudar Cuba” e defendeu uma abertura do país, mencionando inclusive cubano-americanos interessados em retornar à ilha.

A declaração de Trump foi dada em um momento de forte pressão dos Estados Unidos sobre Havana e depois de novas informações sobre preparativos militares americanos na região.

A CBS News revelou que a Reserva do Exército dos EUA analisa a possibilidade de disponibilizar ao Comando Sul, dentro de um período de 90 a 120 dias, diferentes tipos de unidades de apoio. Entre elas estariam efetivos de polícia militar, equipes médicas, engenheiros e estruturas especializadas em logística e atendimento de emergência.

Documento interno obtido por emissora

O documento interno obtido pela emissora não menciona Cuba diretamente nem representa uma ordem de mobilização de tropas. Autoridades americanas ouvidas pela CBS, porém, relacionaram o planejamento às opções que vêm sendo avaliadas para a ilha. O Comando Sul afirmou que realiza continuamente avaliações sobre possíveis necessidades operacionais dentro de sua área de responsabilidade e evitou comentar cenários específicos.

Em julho, a própria CBS já havia informado que integrantes do alto escalão da Defesa estudavam diferentes possibilidades de operação em Cuba. As fontes ressaltaram, naquela ocasião, que os estudos militares não significavam que Trump tivesse autorizado qualquer ataque.

Pressão após captura de Maduro

A pressão sobre Havana aumentou significativamente depois da operação americana que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro. A queda do governo venezuelano atingiu Cuba também pelo setor energético, já que Caracas era historicamente um de seus principais fornecedores de petróleo.

A redução dos embarques, somada às restrições impostas por Washington, aprofundou a escassez de combustível e os problemas no sistema elétrico cubano. Em agosto, a ilha voltou a enfrentar um apagão nacional em meio à falta de combustível e à deterioração da infraestrutura de geração.

Em janeiro, Trump também declarou uma emergência nacional relacionada a Cuba e criou um mecanismo que permite impor tarifas adicionais a países que forneçam petróleo direta ou indiretamente à ilha. A Casa Branca justificou a medida afirmando que as políticas do governo cubano representam uma ameaça à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos.

As sanções continuaram sendo ampliadas. Em 17 de setembro, Washington anunciou restrições contra 11 entidades e autoridades cubanas, incluindo empresas vinculadas à exploração de níquel e ao setor militar. O governo americano sustenta que a pressão econômica pretende atingir estruturas controladas pelo Estado e incentivar mudanças políticas. Havana responsabiliza as medidas americanas pelo agravamento das dificuldades econômicas enfrentadas pela população.

Discurso duro na ONU

Trump voltou a endurecer o discurso contra o regime cubano durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro. Na ocasião, classificou Cuba como um “Estado fracassado” e afirmou que a liberdade chegaria à ilha. A delegação cubana deixou o plenário durante o pronunciamento.

Ao mesmo tempo, existem sinais de que os canais diplomáticos não foram completamente fechados.

As informações públicas sobre essas conversas, entretanto, têm variado. No início de setembro, o chanceler cubano Bruno Rodríguez declarou que não havia negociações em andamento ou programadas com Washington. Já informações posteriores da Reuters apontaram envolvimento do secretário de Estado americano, Marco Rubio, em contatos relacionados a Cuba.

O governo cubano, por sua vez, tem reagido às referências a uma eventual operação militar. Autoridades de Havana afirmaram nos últimos meses que consideram crescente o risco de uma agressão americana e classificaram as ameaças de uso da força como perigosas. Em maio, a vice-chanceler Josefina Vidal disse que o risco havia aumentado diante do impasse diplomático entre os dois governos.