Today at Apple ainda existe? Existe, é de graça e é a desculpa perfeita para levar seus pais à Apple Store

27 de Set de 2026 - 11:20
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Today at Apple ainda existe? Existe, é de graça e é a desculpa perfeita para levar seus pais à Apple Store

Toda vez que entro numa Apple Store, tem um grupo de pessoas sentadas naquelas mesas compridas de madeira, cada uma com um iPad na mão, olhando para uma tela grande na parede. Durante anos passei reto, com pressa ou achando que era coisa “para iniciante”. Até o dia em que sentei numa dessas mesas na Apple Morumbi (em São Paulo), para uma sessão de fotografia e, mesmo depois de mais de uma década usando iPhone, saí de lá com dicas que eu não conhecia. Foi o suficiente para eu querer olhar o programa com mais atenção.

O , lançado em 2017 como a grande aposta da empresa para transformar suas lojas em “praças”, continua vivo. Não faz barulho, não ganha slide em keynote, mas roda todo dia, várias vezes por dia, nas duas lojas brasileiras: a Apple Morumbi (em São Paulo) e a Apple VillageMall (no Rio de Janeiro). Passei um tempo vasculhando a programação das duas para as próximas duas semanas e, de quebra, comparei com o que está no calendário de lojas dos Estados Unidos e do Canadá.

Vamos ao que interessa: o que a pessoa de fato aprende em cada sessão.

Como funciona

Primeiro, o básico. As sessões são gratuitas, duram de 60 a 90 minutos e acontecem dentro da loja (ou nos arredores, no caso das “aulas” com passeios). A inscrição é feita pelo site do Today at Apple ou pelo app Apple Store, e a loja empresta o aparelho: você não precisa ter um iPad com Apple Pencil Pro para participar de uma oficina de desenho, por exemplo. Quem preferir pode levar o próprio dispositivo, o que faz diferença nas sessões de fundamentos, porque aí você sai com o seu iPhone configurado, não o da loja.

Só na Apple Morumbi, contei 62 sessões entre 3 e 16 de setembro, distribuídas em 13 temas. Na VillageMall, 50 sessões e 12 temas. Ou seja, em qualquer dia útil há três ou quatro horários diferentes, de manhã, à tarde e à noite.

Fundamentos: a sessão para o pai, a mãe e a tia

A categoria mais frequente do calendário se chama Fundamentos (nos EUA, Get Started, algo como “Comece Por Aqui”), e existe uma para cada produto: iPhone, iPad, Mac e Apple Watch. A do Apple Watch é a mais oferecida de todas no Morumbi (dez sessões em duas semanas), o que diz algo sobre quantas pessoas ganham um relógio e nunca passam da tela do mostrador.

O que se aprende, segundo a própria descrição da Apple:

  • No iPhone: configurar o aparelho, organizar a tela e “acessar com rapidez o que mais importa”.
  • No iPad: personalizar ajustes e praticar com o .
  • No Mac: os ajustes básicos, os recursos mais comuns e os atalhos favoritos da equipe.
  • No Apple Watch: monitorar saúde, registrar treinos e, o mais importante para quem tem pais mais velhos, os recursos de segurança (como e ).

A sessão é descrita como “personalizada”, e é isso que a torna diferente de um vídeo do YouTube. O grupo é pequeno, a pessoa levanta a mão e pergunta: “Como faço para o meu contato favorito aparecer aqui?” E alguém responde na hora, no aparelho dela. Quem já tentou ensinar a mãe a usar o por telefone sabe o valor disso. Deixe um profissional fazer o trabalho.

Workshops: onde o usuário avançado se surpreende

Aqui a coisa muda de nível. Os workshops de 60 minutos partem do princípio de que você já sabe usar o aparelho e quer fazer algo bem feito com ele.

“Tire fotos melhores com o iPhone” ensina a preparar a foto, testar técnicas e usar as ferramentas de edição do app Fotos, em uma sequência de atividades práticas. Foi essa a sessão que fiz no Morumbi e posso dizer: cheguei achando que sabia tudo de câmera do iPhone e saí com truques de composição e de edição que uso até hoje.

A maioria das pessoas usa uns 20% do que a câmera oferece, e uma hora com alguém apontando o botão certo resolve boa parte disso. Se o usuário avançado da família é você, comece por aqui.

A sessão “Vídeo no iPhone” faz o mesmo do que eu descrevi acima, só que com os modos de gravação. O “Desenhe com o Apple Pencil no iPad” é o mais surpreendente da lista, porque ele não usa só apps da Apple: começa no e termina com um autorretrato no , o app pago que é referência entre ilustradores. É raro ver a Apple ensinando a usar um app de terceiros dentro da própria loja.

E tem o “Spotlight: Apple Intelligence”, que na prática é a melhor aula sobre a IA da Apple que você vai encontrar em português: criar imagens, resumir textos, reescrever emails e usar a Siri de um jeito que a maioria nunca testou. Se você desligou a no dia em que ela chegou e nunca mais olhou, essa é a sessão para dar uma segunda chance.

Passeios: a Apple Store sai para a rua

Os Passeios (Tours, ou “Excursões”) são sessões de 90 minutos que saem da loja. O “Passeio fotográfico: Arquitetura e detalhes” ensina a usar ângulos, linhas e texturas para fotografar prédios, e o “Passeio de vídeo: Imagens de cinema” explora o , as transições de foco e o movimento de câmera em locações reais.

No VillageMall, com a Barra da Tijuca ali do lado, e no Morumbi, com o próprio shopping como cenário, são as sessões que mais valem o deslocamento. E são recomendadas “para todos os níveis”, o que na prática significa que você vai encontrar tanto quem nunca mexeu no quanto quem já filma com o iPhone profissionalmente.

Garotada: para levar os filhos (ou sobrinhos)

Para crianças de seis a dez anos, há sessões de família em que todo mundo faz junto: dirigir um curta no , criar um livro interativo no iPad, montar uma tirinha sobre o planeta Terra. É a versão “durante o ano” do Apple Camp, que rola nas férias. A loja empresta os iPads, e a criança sai com algo feito por ela.

Como pai de um menino de quatro anos, já estou de olho para daqui a dois anos.

E se você estiver viajando?

Aqui vem a parte que me deixou curioso. O Today at Apple é um programa global com catálogo padronizado, e a comparação confirma isso: as mesmas sessões que estão no Morumbi estão na Apple Fifth Avenue (em Nova York), na Apple Aventura (em Miami) e nas lojas de Montreal, Ottawa e Toronto. Mesmos nomes, mesmas descrições, só que em inglês (ou francês, em Montreal). Para quem quer treinar o idioma num contexto em que já sabe do que se trata, é quase uma aula de conversação com tema garantido.

As diferenças aparecem nos detalhes. Nas lojas americanas e canadenses, há sessões para crianças que ainda não chegaram ao Brasil:

  • “Code Your First App” (“Programe Seu Primeiro App”): a criança programa um app no Swift Playground.
  • “Make Your Own Emoji” (“Crie Seu Próprio Emoji”): no Procreate.
  • “Make a Theme Song” (“Crie Uma Música-Tema”): no GarageBand.
  • “Spotlight: Powerful Features for Work” (“Recursos Poderosos Para o Trabalho”): voltado a pequenas empresas.

As lojas grandes dos EUA recebem eventos especiais: na Apple Aventura, a programação de setembro inclui uma apresentação ao vivo do cantor porto-riquenho Lenny Tavárez, com áudio espacial. Volume também é outra história. A Fifth Avenue, que funciona 24 horas, tem 107 sessões nas mesmas duas semanas em que o Morumbi tem 62; a Aventura, 96.

Vale dizer, porém, que a base é a mesma. Quem fizer o “Fundamentos: iPhone” em São Paulo não vai encontrar nada de novo no “Get Started: iPhone” de Miami, a não ser o sotaque. A diferença real está nas sessões infantis e nos eventos especiais.

Extras

Um detalhe do calendário brasileiro que eu não sabia: além das sessões abertas, a Apple aceita reservas em grupo, para escolas, empresas ou simplesmente uma turma de amigos que quer uma sessão só para ela. Para quem organiza um evento de equipe ou um grupo de terceira idade, é uma opção que custa zero.

No fim das contas, o Today at Apple é aquele tipo de coisa que a Apple faz bem e não sabe vender. É de graça, é presencial, é personalizado e existe há quase dez anos ali na loja onde você vai trocar a capinha. Leve seus pais para o “Fundamentos”. Fique para o “Spotlight”. E, se quiser sair da loja com uma foto boa, vá ao passeio. Só não passe reto, como eu fiz por tanto tempo.