Zambelli pede que STF libere retorno ao Brasil para votar na mãe sem ser presa

22 de Set de 2026 - 14:20
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Zambelli pede que STF libere retorno ao Brasil para votar na mãe sem ser presa

A defesa de Carla Zambelli (PL) protocolou nesta segunda-feira (21) um habeas corpus preventivo solicitando que a ex-deputada federal possa vir ao Brasil para votar na mãe, a candidata a deputada federal Rita Zambelli (PL), sem que seja presa.

A petição inicial foi protocolada pelo novo advogado da ex-parlamentar, Eduardo Maurício. Ele assumiu após Fabio Pagnozzi renunciar ao mandato em meio a divergências sobre apoio político. Cartas obtidas pela Gazeta do Povo (leia na íntegra ao final) mostram que a ex-deputada prometeu apoio à candidatura do advogado a deputado federal pelo Novo em São Paulo. Segundo Pagnozzi, a atuação gratuita seria sua contrapartida no acordo.

Eduardo Maurício, no entanto, alega que os fatos foram distorcidos. Ele explica que, na verdade, a atuação do antigo advogado só gerou as duas derrotas no Brasil (relembre abaixo), uma vez que as extradições estão sob responsabilidade da banca na Europa.

A versão de Maurício é de que a destituição ocorreu porque Fabio tentou impor o apoio político em troca de não divulgar informações pessoais, e ressaltou que o apoio de sua cliente pertence à mãe. O acordo seria, nesta versão, para atuar gratuitamente em troca de visibilidade.

Rita Zambelli aparece no meio da controvérsia. É que sua filha já declarou que irá apoiá-la, e não a Fábio. Em uma das cartas, Zambelli faz estimativas sobre uma vitória de seu advogado para Câmara e menciona sua mãe como candidata não a deputada federal, mas a deputada estadual. Ao final, ela pediu que Pagnozzi conversasse com Rita e prometesse um cargo como chefe de gabinete.

Relembre o caso Zambelli

Mandado falso contra Moraes

Carla Zambelli foi condenada em 16 de maio de 2025 a 10 anos de prisão por contratar Walter Delgatti Neto, conhecido como "Hacker de Araraquara", para invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir um mandado de prisão falso que tinha como emissor e alvo a mesma pessoa: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Nove dias depois da condenação e antes do trânsito em julgado (encerramento) do processo, Zambelli deixou o Brasil. Ela viajou de carro até a região de Foz do Iguaçu (PR), cruzou a fronteira rumo a Puerto Iguazú, na Argentina, e seguiu para Buenos Aires, de onde embarcou para Miami e, por fim, para a Itália.

No dia 7 de junho, Moraes pediu a extradição da ex-deputada ao governo italiano. Ela foi presa no país europeu pouco mais de 50 dias depois, por ter sido incluída na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

A Corte de Apelação de Roma chegou a concordar em entregar Zambelli às autoridades brasileiras. A decisão, no entanto, foi revertida pela instância superior, a Corte de Cassação.

Os magistrados italianos entenderam que houve uma “macroscópica violação” da garantia de imparcialidade objetiva. A Corte considerou, entre outros elementos, que Moraes figurava como pessoa atingida pelos fatos, atuou como relator, participou da análise sobre sua própria incompatibilidade, expediu o mandado de prisão e formulou o pedido de extradição. O pedido brasileiro foi rejeitado definitivamente nesse processo.

Perseguição armada em São Paulo

No dia 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições de 2022, Zambelli foi filmada perseguindo um homem com uma arma de fogo. O episódio lhe rendeu outra condenação em 22 de agosto de 2025, a 5 anos e 3 meses.

Em agosto, o relator, ministro Gilmar Mendes, somava este ao outro caso de extradição que já estava em trâmite. Neste caso, a Corte de Cassação também reverteu a decisão desfavorável da instância inferior, mas não encerrou o caso, determinando que haja um novo julgamento.

Diferentemente do processo do CNJ, a Corte de Cassação rejeitou as alegações de perseguição política e de parcialidade do STF. O principal problema apontado foi outro: as autoridades brasileiras não apresentaram informações suficientemente concretas sobre a capacidade da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, de garantir o acompanhamento médico contínuo e especializado necessário à ex-deputada.