Abandonar sessões da ONU é antiga forma de protesto; entenda
Retirar-se de uma sessão das Nações Unidas é uma das formas mais antigas de protesto diplomático no organismo mundial, remontando aos seus primeiros anos.
As saídas em protesto ocorridas nesta semana são os exemplos mais recentes de uma tática que países utilizam há décadas para sinalizar oposição a Estados rivais, líderes controversos ou políticas polêmicas sem interromper o andamento dos trabalhos, segundo Rosa Freedman, professora de direito, conflito e desenvolvimento global na Universidade de Reading.
“A retirada em protesto é uma manifestação pacífica e simbólica”, disse Freedman. “Temos visto isso ao longo das oito décadas de existência das Nações Unidas.”
Diplomatas franceses retiraram-se do recinto durante a guerra de independência da Argélia, na década de 1950, e delegados da Hungria fizeram o mesmo após a invasão de Budapeste pela União Soviética.
Delegados de diversos países protestaram contra a África do Sul do apartheid da mesma maneira.
“Queremos que os diplomatas possam exercer seu direito de protestar pacificamente”, afirmou ela. “Queremos realizar discussões diplomáticas difíceis, que muitas vezes começam com protestos simbólicos — como retirar-se de uma sala — para chamar a atenção para problemas profundamente enraizados em nossa sociedade.”
Durante um discurso em 2025, no qual o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu continuar a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza, dezenas de delegados levantaram-se e retiraram-se do local.
Países já realizaram esse tipo de protesto devido a guerras, invasões e disputas diplomáticas, mas, por vezes, também por não reconhecerem a legitimidade de outro Estado, observou Freedman, acrescentando que, enquanto essas saídas continuarem sendo uma forma eficaz de chamar a atenção para reivindicações políticas, é provável que permaneçam como uma característica da diplomacia da ONU.