Papa Leão XIV ouve relato de imigrante que escapou da prostituição em Paris
Por Hannah Brockhaus
Por Catholic News Agency
26/09/2026 às 07:06
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Papa Leão XIV ouviu os relatos de fé e esperança de dois imigrantes na França em um centro de integração na arquidiocese de Paris no sábado.
A França é um dos países europeus com maior influxo de imigrantes — uma questão política altamente divisiva que também está ligada à eleição presidencial do próximo ano, com a política anti-imigração Marine Le Pen atualmente na liderança das pesquisas.
Aproximadamente 8 milhões de imigrantes vivem na França, representando 11,6% da população total do país em 2025, segundo o instituto nacional de estatísticas francês.
Leão visitou a Casa Bakhita, um centro que oferece apoio e integração a imigrantes na Arquidiocese de Paris. A visita do papa ocorre no quinto aniversário do centro, que oferece oficinas educacionais de costura, culinária, artes visuais e informática.
Batizado em homenagem a Santa Josefina Bakhita — uma criança vítima de sequestro e escravidão do Sudão — o centro diurno acolheu 2.500 pessoas de 84 nacionalidades diferentes desde que abriu suas portas no final de setembro de 2021. É administrado por cinco funcionários permanentes e 100 voluntários.
"O nome do vosso centro... que se refere a Santa Bakhita, inspira-nos a reconhecer o papel fundamental das mulheres na construção de uma civilização do amor, que é uma alternativa a uma cultura que dilacera comunidades e deixa as cidades doentes de solidão", disse o papa em 26 de setembro.
O papa ouviu uma nigeriana de 31 anos chamada Blessing, que descreveu a maneira como sua vida mudou desde que recebeu a ajuda e a amizade da associação Aux Captifs, la Libération, uma organização católica de caridade que ajuda moradores de rua e pessoas em situação de prostituição.
Blessing descreveu uma vida complicada na qual "foi forçada a fazer coisas que não queria fazer". Mas através da assistência que recebeu, ela deixou aquela vida para trás e começou a trabalhar em um restaurante.
"Deus tem um lugar importante na minha vida. Sem Deus, nada é possível", disse ela. "Mesmo através das dificuldades que experimentei, nunca duvidei da sua presença, e sabia que um dia ele abriria um novo caminho para mim. Às vezes desejo que Deus pudesse apagar tudo como um mágico, mas sei que ele fará tudo no seu próprio tempo."
O papa também ouviu Meysam, de 35 anos, um refugiado do Afeganistão. Através da Casa Bakhita, ele conseguiu melhorar seu francês e suas habilidades de costura. Agora é voluntário no centro: "Participo de duas ações de rua por semana para encontrar exilados e refugiados sem documentos. É uma forma de retribuir o que eu mesmo recebi."
Papa Leão agradeceu a todos que trabalham no centro, "bem como a todos aqueles em toda a França que realizam este serviço em instituições semelhantes".
"Continuem a testemunhar esse cuidado mútuo que, através do acolhimento fraterno, programas de formação e diálogo com a cidade, eleva o espírito e torna o mundo mais humano", disse ele.
"Que Santa Bakhita, juntamente com as grandes testemunhas da caridade que moldaram a presença da Igreja na França, especialmente durante períodos de mudanças tumultuadas, interceda por vós."
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