Advogada faz ensaio com mais de 200 seringas usadas em tratamento durante gravidez no AC: 'Emocionante'

Gestante faz ensaio com mais de 200 seringas usadas em tratamento durante gravidez no AC 🤰🏻A advogada Ilva Maria Gardenal Cabrera Camolez da Costa, de 33 anos, fez um ensaio fotográfico com 202 seringas usadas ao longo da gravidez em um tratamento contra trombofilia, condição clínica que aumenta o risco de trombose e perda gestacional. As imagens foram postadas nas redes sociais. Grávida de 36 semanas, Ilva contou ao g1 que espera o nascimento do primeiro filho, Lucas. As fotos foram tiradas em julho, quatro meses após o diagnóstico da doença. Ainda no início da gestação, ela conversou com uma amiga que conhecia uma mulher que havia feito um book parecido. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp 🔎 Trombofilia é uma condição de saúde que pode propiciar anomalias na coagulação sanguínea e consequentes formações de trombos, ou seja, sangue coagulado no interior de um vaso sanguíneo. O aumento do risco de trombose e as complicações gestacionais são alterações da condição. "Assim que recebi o diagnóstico conversei com uma amiga do trabalho, ela disse que uma amiga dela tinha feito um ensaio com seringas. Então, decidi guardar todas as seringas para fazer o ensaio também. Foi incrível e emocionante", contou. Na expectativa pelo nascimento de Lucas, Ilva destaca importância de buscar atendimento médico Ryanna Glenda/Arquivo pessoal LEIA TAMBEM: Grávida de 18 anos morre após parto em hospital no Acre e família alega negligência médica VÍDEO: Mulher dá à luz em calçada no interior do Acre; bebê estava preso à roupa da mãe Justiça mantém condenação por óbito fetal e violência obstétrica em hospital no interior do Acre O ensaio acabou se transformando em uma espécie de registro visual da trajetória da gravidez: 202 aplicações, marcas no corpo, medo, acompanhamento médico e, principalmente, a expectativa pelo nascimento do filho. O tratamento dessa condição consiste em evitar que ocorra a formação de trombos no organismo da paciente. O tratamento é feito com base em medicamentos anticoagulantes, varia de acordo com cada caso e deve ser recomendado por um especialista. Para Ilva, cada aplicação representa uma etapa da gestação e a possibilidade de realizar o sonho de ter um filho. "A medicação me deu a oportunidade de concretizar o sonho da minha família em termos um filho, que é a herança do Senhor. Então, em cada aplicação, percebo Deus em minha vida", afirmou. Ilva Maria Camolez fez um ensaio fotográfico com 202 seringas de seu tratamento de trombofilia Ryanna Glenda/Arquivo pessoal Diagnóstico A advogada conta que sempre manteve uma rotina saudável, com alimentação acompanhada por nutrólogo e prática de exercícios físicos. Contudo, sempre teve pequenos vasos aparentes nas pernas, que ela acreditava terem origem genética, já que outras mulheres da família também apresentavam a característica. Além disso, sentia cansaço e peso nas pernas, mas sem inchaço. "Sempre tive uma vida saudável, meus exames sempre foram regulares. Mas, desde os 14 anos tenho alguns vasinhos, aqueles fininhos rompidos na perna. Também sentia cansaço nas pernas, como se ficassem pesadas, mas nunca imaginei o que poderia ser", relata. O diagnóstico de trombofilia veio em março desse ano, quando ela estava com dois meses de gestação. Segundo Ilva, a médica solicitou 46 exames de sangue. Parte deles não foi coberto pelo plano de saúde e precisou pagar de forma particular. Ilva destaca que a condição pode ser difícil de identificar, pois, no seu caso, não apresentava sintomas específicos. "Felizmente fui diagnosticada, mas a trombofilia é uma doença que é muito difícil de ser rastreada porque muitas vezes, como foi no meu caso, não teve sintomas", afirmou. Gestante passou a receber mensalmente 30 aplicações pelo governo Ryanna Glenda/Arquivo pessoal Tratamento com anticoagulante Desde o diagnóstico, Ilva passou a utilizar Clexane, um anticoagulante à base de enoxaparina, por meio de aplicação na veia. Ela também passou a usar progesterona, meia de compressão, e até ácido acetilsalicílico (AAS) após exames apontarem risco aumentado para pré-eclâmpsia. No segundo trimestre, novos exames indicaram, segundo a advogada, que a dose inicial do anticoagulante não estava produzindo o efeito esperado. A medicação foi então aumentada para 60 mg, mantida até o momento. Ao todo, foram 202 seringas usadas durante a gestação até o momento. O tratamento também deixou marcas no corpo. Ilva conta que algumas aplicações provocaram hematomas nos braços e nas pernas. "Às vezes ficam esses roxinhos, mas não tem problema nenhum. É algo que vai passar, é algo que eu vou superar", disse. Ainda segundo Ilva, ao receber o diagnóstico, a obstetra explicou que a trombofilia poderia aumentar riscos durante a gravidez, entre eles perda gestacional, parto prematuro, alterações no crescimento do feto, pré-eclâmpsia e trombose. "Eu posso desenvolver várias coisas, mas, graças a Deus, Deus tem abençoado. São profissionais capacitados os que eu escolhi para me acompanhar durante a gestação", afirma. A trombofilia é um grupo de condições que pode aumentar a tendência de formação de coágulos sanguíneos. O acompanhamento e o tratamento dependem do tipo de trombofilia, histórico clínico e avaliação médica de cada paciente. Medicação cara Além do impacto emocional causado pelo diagnóstico, o custo do tratamento foi outro desafio enfrentado pela família. Ilva relembra que, ao comprar a primeira caixa de Clexane, descobriu que seis seringas custavam entre R$ 400 e R$ 500. "Foi um susto, tendo em vista que preciso realizar a aplicação da medicação todos os dias e até o pós-parto. A obstetra informou que o estado fornece a medicação e podíamos solicitar no Centro de Referência de Medicamentos Especiais do estado do Acre (Crema)", contou. Diagnóstico da condição ocorreu em março, na 8ª semana de gestação Ryanna Glenda/ Arquivo pessoal Ela solicitou o remédio no Crema. O pedido foi atendido e ela passou a receber mensalmente 30 aplicações pelo governo. "É uma medicação de alto custo. Se você for comprar na farmácia uma caixinha com seis seringas, tem um valor alto mas eu consegui solicitar pelo governo e deu certo", relatou. Um dia de cada vez Além do tratamento, Ilva diz que precisou lidar com o medo ao longo da gestação. O diagnóstico provocou preocupação diante dos possíveis riscos e da possibilidade de não conseguir chegar ao fim da gravidez. Para controlar a ansiedade, ela encontrou na fé uma forma de enfrentar o período. "Todos os dias das nossas vidas são uma vitória. É confiar em Deus e seguir com fé tem sido o que me ajuda a superar até as dores de aplicar a medicação e os roxos em meus braços e pernas", disse. Para ela, a experiência também reforçou a importância da escuta durante os atendimentos de saúde. "Essa experiência me fez refletir sobre a importância de buscar um profissional capacitado e humano, a ponto de uma simples queixa levar a um diagnóstico que pode salvar a sua vida e do seu filho", fala. Agora, no nono mês da gestação, Ilva conta os dias para conhecer o filho. A chegada do bebê é aguardada com ansiedade e felicidade pela família e também dá um novo significado as 202 seringas usadas no tratamento. "Estou ansiosa e feliz pela chegada do Lucas, ainda mais por ser meu primogênito", completou animada. Reveja os telejornais do Acre