Aliados de Lula sentem “cheiro de pizza” com aproximação de Marinho e STF

12 de Out de 2026 - 16:40
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Aliados de Lula sentem “cheiro de pizza” com aproximação de Marinho e STF

A aproximação entre o senador Rogério Marinho (PL-RN) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) despertou desconfiança entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos bastidores, interlocutores do governo avaliam que as conversas podem abrir caminho para um acordo político que esvazie a promessa de impeachment de ministros da Corte, defendida por candidatos da direita durante a campanha eleitoral.

A desconfiança ocorre em meio às discussões sobre a atuação da próxima composição do Senado, responsável por processar e julgar ministros do STF em casos de crimes de responsabilidade. Durante a campanha, candidatos ligados ao bolsonarismo defenderam o afastamento de magistrados e mobilizaram eleitores em torno da proposta.

A interlocução de Marinho com integrantes do Supremo, porém, levantou questionamentos entre governistas sobre como a bancada pretende conciliar o discurso eleitoral com a relação institucional com a Corte.

Lula também defende investigações

Apesar das críticas à possibilidade de um entendimento para esvaziar a pauta, interlocutores do governo ressaltam que o Planalto também defende a realização de investigações e a responsabilização de eventuais envolvidos, desde que sejam respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

A posição é coerente com o discurso de Lula em defesa de investigações conduzidas dentro das regras legais. Nesse contexto, a discussão não se limita à possibilidade de impeachment de ministros, mas também envolve a garantia de que eventuais apurações sejam feitas com respeito ao direito de defesa.

Para os governistas, o ponto de atenção é se a aproximação entre lideranças da direita e integrantes do Supremo resultará em uma mudança de postura sobre os pedidos de impeachment ou em uma tentativa de reduzir as tensões institucionais sem enfrentar as acusações formalmente.

Para eles, apesar da expressiva bancada eleita com a bandeira do impeachment, apenas dois ou três senadores devem manter a promessa de trabalhar pela abertura do processo.