Argentina estende concessão de aeroportos da Corporación América até 2049
O governo da Argentina aprovou, nesta segunda-feira (28), a renegociação contratual de 35 aeroportos administrados pela Corporación América e estendeu suas concessões até 2049 — 11 anos a mais do que o prazo original.
Há uma possibilidade de prorrogação adicional até 2056, que está condicionada a investimentos de US$ 600 milhões. A empresa precisará concluir 75% das obras previstas até o fim de 2031.
A renegociação também mantém em 15% da receita bruta o valor de outorga pago pela concessionária ao governo argentino.
O plano de obras concentra investimentos no aeroporto internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, principal porta de entrada e saída do país. O aeroporto receberá mais de US$ 750 milhões em projetos.
Estão previstas a ampliação do terminal internacional e intervenções em pistas, plataformas e sistemas operacionais. Aeroparque, Córdoba, Mendoza, Bariloche e Iguazú também aparecem entre os maiores destinos dos investimentos.
No Brasil, a Corporación América é controladora da Inframérica, que administra o aeroporto de Brasília desde 2012.
Em comunicado, a empresa informou que a renegociação busca responder ao aumento do fluxo de passageiros e permitir a execução de um novo ciclo de investimentos. A empresa também destacou que a taxa interna de retorno prevista no novo acordo ficou em 14,3%.
O acordo encerra ainda uma disputa entre a concessionária e o governo argentino em torno do desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. A disputa se arrastava desde a pandemia de covid-19.
Para o BTG Pactual, a renegociação reduz riscos regulatórios para a Corporación América.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (29), o banco estimou que a mudança acrescenta cerca de US$ 1,8 bilhão ao valor presente líquido da companhia. O cálculo equivale a aproximadamente 42% do valor de mercado da empresa.
O BTG também destacou que a nova taxa de retorno de 14,3% ficou abaixo dos 16,45% previstos anteriormente. Ainda assim, os analistas consideram que o novo contrato melhora a previsibilidade econômica da concessão argentina.