Como o STF ficou tão poderoso até chegar à crise atual?
O (STF) vive o seu momento de maior desgaste desde a redemocratização. Nas últimas semanas, os ministros tomaram uma série de decisões individuais que se anularam umas às outras, e pela primeira vez o plenário se reuniu para avaliar a abertura de uma investigação contra um dos seus.
O(21/9) evidenciou a dimensão dos conflitos dentro do STF, com embates entre os ministros e bate-bocas que expuseram divergências sobre os limites da atuação de cada integrante da Corte.
Mas essa crise não começou com o caso do Banco Master.
O Supremo nem sempre ocupou o papel central que tem hoje na política brasileira. A Constituição de 1988 ampliou as atribuições da Corte e deu ao STF a função de guardião da Constituição, mas especialistas ouvidos pela BBC apontam que a transformação foi além do desenho institucional criado naquele momento.
A partir dos anos 2000, o tribunal passou a adotar interpretações mais amplas da Constituição e a atuar de forma mais incisiva em questões políticas e sociais. Ao mesmo tempo, decisões individuais dos ministros ganharam espaço, reduzindo, em alguns casos, o protagonismo do plenário.
O resultado foi uma Corte com enorme influência sobre a vida política brasileira — e também cada vez mais exposta a conflitos internos e críticas sobre os limites de seus poderes.
Neste vídeo, a repórter Stephanie Rodrigues reconstrói como o tribunal saiu de um lugar discreto na vida pública brasileira, quando as pessoas nem sabiam o nome dos onze ministros, para o centro das disputas políticas do país.