Deputada australiana tem pernas amputadas após ataque de ativista ambiental anti-Israel
Uma deputada da Austrália teve as duas pernas amputadas após ter sido atropelada por um Toyota Land Cruiser esta semana, em um incidente que está sendo investigado pelas autoridades locais como um ataque deliberado.
Segundo informações da agência EFE, Phil Haines, marido da deputada independente australiana Helen Haines, confirmou nesta quarta-feira (21) que os médicos também tiveram que amputar a segunda perna da parlamentar, que permanece em estado crítico, mas estável, após ter sido atropelada na última segunda-feira (19) em frente ao seu escritório eleitoral em Wangaratta, no estado de Victoria (sul).
“Tínhamos esperança de que sua perna direita pudesse ser salva, mas os cirurgiões também tiveram que amputá-la”, afirmou Phil Haines em um pronunciamento à imprensa na porta do hospital Alfred, em Melbourne, onde sua esposa, de 65 anos, permanece internada.
O marido destacou que, apesar da gravidade dos ferimentos, a deputada está viva e estável, o que considerou o mais importante para a família. Também ressaltou que, no momento, tanto seu coração quanto sua capacidade intelectual estão bem, e disse que a recuperação será longa.
O homem identificado como autor do atropelamento, Brendan Nugent, de 43 anos, é um ativista ambiental que nos últimos anos criticou líderes políticos da Austrália e de outros países nas redes sociais devido ao apoio a Israel, segundo reportagem publicada na terça-feira (20) pelo jornal The Australian.
De acordo com o periódico, Nugent se tornou mais radical após o início da guerra na Faixa de Gaza, deflagrada pelos ataques do grupo terrorista Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.
“A única razão pela qual Israel bombardeia pessoas inocentes em Rafah é porque pessoas como você lhes dão cobertura diplomática e assistência militar para que o façam”, disse ele ao então premiê britânico, Keir Starmer, nas redes sociais.
O The Australian relatou que Nugent se comunicou poucas vezes com Helen Haines no X, mas nenhuma dessas interações foi agressiva; em uma delas, chegou a elogiar a posição da parlamentar sobre as mudanças climáticas.
“Seria interessante incluir um político que leve as mudanças climáticas a sério, como você”, escreveu Nugent a Haines em outubro de 2019.
Nugent compareceu nesta quarta-feira ao Tribunal de Magistrados de Wangaratta para ser indiciado por cinco acusações, entre elas condução perigosa com resultado de lesões graves, causar lesões graves de forma intencional e causar dano a um funcionário público da Commonwealth (Comunidade de Nações), além de cultivo e posse de cannabis.
Durante a audiência, sua defesa afirmou que Nugent sofre de mielite transversa idiopática, uma doença neurológica rara que afeta a medula espinhal, e que ele sofreu uma concussão cerebral.
No entanto, a defesa não estabeleceu nenhuma relação entre essas condições médicas e os fatos que lhe são imputados, nem indicou que pudessem ter afetado sua capacidade de compreender ou controlar seus atos.
O magistrado tomou conhecimento das necessidades médicas do acusado antes que ele fosse retirado da sala e voltasse ao seu local de detenção, também em Victoria.
O acusado não solicitou liberdade sob fiança e deverá retornar ao tribunal em 4 de fevereiro.
A polícia de Victoria não descarta apresentar novas acusações, incluindo a de tentativa de assassinato, segundo informou hoje o comissário-chefe da polícia estadual, Mike Bush, em uma entrevista coletiva, na qual classificou o atropelamento como um ataque deliberado.
As autoridades ainda investigam o caso e não estabeleceram o que motivou a agressão. A família de Nugent afirmou ontem que mantinha uma amizade com Haines há mais de 20 anos e classificou o atropelamento como “devastador e incompreensível”.