Derrite rejeita Alcolumbre e diz que novo presidente do Senado deve priorizar impeachment no STF
O senador eleito por São Paulo Guilherme Derrite (PP) afirmou que o próximo presidente do Senado terá papel decisivo para pautar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista ao programa Café com a Gazeta do Povo nesta quinta-feira (8), Derrite disse que não votará em Davi Alcolumbre (União) para a presidência. Ele citou os senadores Rogério Marinho (PL) e Tereza Cristina (PP) como possíveis nomes para a função.
“Se não houver um presidente do Senado com esse compromisso, a gente não consegue nem pautar o impeachment, para que ele seja enfim analisado", disse.
Derrite é sorocabano e tem 41 anos. Foi deputado federal por dois mandatos e comandou a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), entre 2023 e 2025. Na eleição deste ano, recebeu 13.273.880 votos, mais de 30% dos votos válidos.
Derrite quer fechar a “porta giratória” das prisões
O senador eleito defende mudanças na legislação para aumentar o tempo de permanência de criminosos na prisão, reduzir benefícios e alterar regras relacionadas à maioridade penal e às audiências de custódia.
“Se a gente reduzir a maioridade penal para 16 anos, já vai ser um grande avanço. Eu vou ter o privilégio, talvez, de votar as duas vezes nesse projeto, né? Como deputado federal esse ano e senador da República a partir do ano que vem”, afirmou.
Além da redução da maioridade penal para 16 anos em qualquer crime, Derrite defende que a responsabilização possa ocorrer a partir dos 14 anos, para crimes hediondos ou equiparados, como estupro, homicídio qualificado e sequestro.
O senador eleito também defende o fim da progressão do regime de cumprimento de pena. “Se o indivíduo que é condenado a seis anos fica seis meses preso, o sistema prisional vira uma porta giratória, um entre e sai", disse.
Na lista de mudanças defendidas por Derrite, estão ainda o fim do auxílio-reclusão e da visita íntima, além da revisão das regras da audiência de custódia.
“É reincidente criminal? Cometeu crime de natureza grave? Não deve ter direito, porque audiência de custódia acabou se tornando um mecanismo da impunidade", ressaltou.
Senador eleito diz que ministério é especulação e pede base mobilizada
Derrite afirmou que seu trabalho agora é para ampliar a rede de aliados de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Entre os movimentos, citou o apoio declarado pela Federação União Progressista e pelo Republicanos e a busca por adesões dentro do MDB.
Para a campanha, ele elencou três frentes: manter a base mobilizada, aproximar deputados e senadores eleitos e identificar regiões com espaço para ampliar a votação. “Fazer a nossa base continuar aquecida, engajada. Não desmontar o acampamento, como a gente fala no jargão e na gíria militar.”
Por fim, Derrite afirmou que seu apoio a Flávio Bolsonaro não está condicionado à possibilidade de ocupar um ministério em eventual governo.
“Existe uma especulação, porque são 24 anos trabalhando com segurança pública, dois mandatos de deputado federal com projetos importantes aprovados na área e fui secretário do maior estado da federação, mas essa conversa nunca existiu. Meu foco é fazer Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno", concluiu.