DJI surpreende e atualiza mais de 10 drones – inclusive antigos
Quem tem um drone mais antigo da DJI, foi surpreendido nos últimos dias por uma mensagem de atualização de firmware, mesmo após anos sem atualizações. Modelos como Avata, Neo, Mini 2, Mini 3 Pro, Mavic Air 2 e Air 2S estão na lista. Embora a DJI mencione apenas correções de bugs, uma vulnerabilidade de Bluetooth pode estar por trás da decisão.
Essa foi a maior atualização em massa da DJI para seus drones, incluindo modelos que não recebiam novidades há anos, mas modelos recentes também fora atualizados.
A maior atualização em massa já feita pela DJI

Mais de 10 drones receberam atualização de firmware
A lista traz atualizações para diversos modelos: Avata, Avata 2, Avata 360, Flip, Lito 1, Lito X1, Mini 2, Mini 3 Pro, Mini 4 Pro, Mini 5 Pro, Neo, Neo 2, Mavic Air 2, Air 2S, Air 3, Air 3S, Mavic 3 Series e Mavic 4 Pro.
O movimento chamou a atenção principalmente porque algumas dessas aeronaves já haviam passado longos períodos sem qualquer atualização. O Mini 2 lançado em 2020, por exemplo, recebeu seu primeiro novo firmware desde março de 2022, enquanto o Mavic Air 2 também voltou a receber atenção da fabricante depois de anos.
A surpresa ficou ainda maior quando os usuários consultaram as notas oficiais das atualizações. Na maioria dos casos, a DJI se limitou a informar que foram corrigidos problemas conhecidos, sem detalhar quais falhas haviam sido identificadas ou justificar a necessidade de atualizar tantos produtos praticamente ao mesmo tempo.
Mas existe uma possível explicação para essa movimentação: uma vulnerabilidade de segurança descoberta em diversos drones da fabricante, capaz de comprometer suas conexões sem fio e, potencialmente, interferir no controle das aeronaves.
Falha grave de Bluetooth pode estar relacionada às atualizações
Em agosto de 2026, foi registrada uma vulnerabilidade identificada como CVE-2026-78306, que afeta a comunicação Bluetooth de diferentes drones da DJI. A falha recebeu classificação de gravidade alta, com pontuação de 8,5 em uma escala de 0 a 10.
O problema está relacionado à interface de comandos DUML, utilizada pelos equipamentos da fabricante. Segundo a descrição da vulnerabilidade, determinadas operações poderiam ser executadas por um dispositivo próximo sem a autenticação adequada.
Na prática, um invasor dentro do alcance Bluetooth poderia modificar parâmetros da conexão Wi-Fi do drone, incluindo nome da rede, senha, canal de comunicação e outras configurações. Em determinadas circunstâncias, isso poderia permitir acesso indevido à rede interna da aeronave e até o envio de comandos de voo.
Outra possibilidade seria provocar interrupções nas interfaces de comunicação, afetando a transmissão de vídeo, a telemetria e a conexão com o controle remoto. Trata-se de um problema especialmente preocupante em um equipamento que depende de comunicação sem fio para operar com segurança.
O fato de tantos desses produtos terem recebido novas versões de firmware em outubro reforça a possibilidade de uma relação entre a vulnerabilidade e as atualizações.
A DJI, entretanto, não confirmou oficialmente que os novos firmwares corrigem especificamente a CVE-2026-78306. Portanto, embora exista uma coincidência relevante entre os modelos afetados e os equipamentos atualizados, ainda não é possível afirmar que essa tenha sido a única motivação da fabricante.
Restrições nos Estados Unidos também entram nessa história
Outro elemento importante é o cenário regulatório enfrentado pela DJI nos Estados Unidos, um dos mercados mais relevantes para seus drones.
A fabricante chinesa convive com restrições relacionadas à homologação de novos equipamentos pela FCC, agência norte-americana responsável pela regulamentação das comunicações.
Apesar dessas restrições, os drones anteriormente autorizados continuam tendo uma situação diferente daquela aplicada a novos produtos. Uma autorização regulatória permite a continuidade de atualizações de software e firmware para determinados equipamentos já homologados até, pelo menos, 1º de janeiro de 2029.
Isso significa que modelos antigos, como o Mavic Air 2 e o Air 2S, continuam relevantes para a base instalada de consumidores norte-americanos, mesmo depois de terem sido substituídos por gerações mais modernas.
A manutenção desses produtos pode, portanto, estar relacionada tanto à segurança quanto à necessidade de preservar seu funcionamento em um mercado no qual a comercialização de novos equipamentos da marca enfrenta obstáculos.
Não há, porém, evidências de que a FCC tenha determinado essa atualização coletiva ou exigido especificamente os firmwares lançados em outubro.

DJI Fly também foi atualizado
A grande leva de firmwares coincidiu com a chegada do DJI Fly 1.21.16 / 1.21.18, aplicativo utilizado para controlar e configurar boa parte dos drones da empresa, incluindo versões dos controles com tela.
Lançada em outubro, essa versão acompanha atualizações de modelos antigos e recentes, incluindo o Mini 2, Mavic Air 2, Neo, Air 3S e Mini 5 Pro.
A atualização simultânea do aplicativo, das aeronaves e de diferentes controles remotos também sugere um esforço de manutenção do ecossistema da DJI, que precisa continuar funcionando em diferentes gerações de produtos e sistemas operacionais.

Isso não significa necessariamente que os drones antigos estivessem apresentando problemas generalizados de conexão ou compatibilidade. A fabricante não detalhou falhas desse tipo nas notas disponibilizadas para esses modelos.
O que se sabe é que, mesmo sem novidades de câmera ou recursos adicionais, equipamentos lançados há vários anos receberam novas versões de software em um intervalo muito curto.
Lembrando que os controles com tela também foram atualizados, incluindo o RC, RC2 e RC Pro 2.
Avata 360 ganhou novas funções
Apesar da maioria dos drones receberem apenas correções de segurança, o Avata 360 se diferencia por também receber novidades, entre elas o suporte ao controle com tela RC Pro 2 e a função Waypoints, que permite fazer a mesma trajetória de voo em diferentes dias.

Atualizou seu drone? Confira as configurações antes de voar
Para os proprietários dos modelos contemplados, existe um cuidado importante antes da instalação das atualizações.
A própria DJI alerta, nas notas de determinados firmwares, que o procedimento pode redefinir parâmetros de voo, incluindo a altitude de retorno automático ao ponto de origem (RTH) e a distância máxima permitida.
Dependendo do modelo, ajustes personalizados da câmera também podem voltar aos valores padrão.
Por isso, antes do primeiro voo após a atualização, vale conferir as configurações de segurança, os limites de distância e altitude, o funcionamento do controle remoto e os parâmetros de câmera utilizados normalmente.
A recomendação é especialmente importante para quem utiliza o drone profissionalmente ou costuma voar em locais com obstáculos, nos quais uma altitude de retorno configurada incorretamente pode representar um risco.