Estocagem de gás natural é questão de segurança, diz CEO da Origem Energia
A Origem Energia já detectou o interesse do mercado — grandes petroleiras, indústrias, distribuidoras, geradoras térmicas e até a estatal PPSA — no projeto de estocagem subterrânea de gás natural em desenvolvimento pela companhia no município de Pilar (AL).
Quando estiver plenamente operacional e em sua capacidade máxima, terá capacidade para armazenar até 1,5 bilhão de metros cúbicos de gás, o equivalente a cerca de 30 dias de produção nacional.
Escalonado em três fases, o projeto deverá ser totalmente implantado até o fim desta década, conforme a demanda de potenciais clientes, disse à CNN o presidente da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho. Ele estima os investimentos necessários em US$ 200 milhões a US$ 250 milhões.
“É algo ultraestratégico para o país”, define Coutinho. A etapa-piloto do empreendimento, prevista para começar ainda em 2026, contempla uma capacidade de estocar até 50 milhões de m³ de gás natural. Serão 800 mil m³/dia de injeção, nessa fase preliminar, e 400 mil m³/dia de retirada.
Trata-se do maior projeto do gênero na América Latina. Em momentos de excesso de produção de gás, sem demanda suficiente, o insumo pode ser armazenado nos reservatórios naturais do Polo Alagoas.
Os investimentos se destinam à revisão de poços, linhas, compressores e instalação de sistemas de medição exigidos pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Embora seja uma atividade já consolidada nos Estados Unidos e na Europa, o Brasil só agora conta com regulamentação própria para isso.
Como os poços da Origem Energia são conectados à malha de gasodutos da TAG, até a produção do pré-sal no Sudeste pode ser levada ao Polo Alagoas para estocagem.
“A pergunta não é quanto custa fazer esse armazenamento. É quanto custa ter gás seguro, dentro das nossas fronteiras e que dê possibilidade de estabilizar o mercado em situações difíceis”, afirma Coutinho.