Lula diz que entregará autorização para Justiça quebrar seu sigilo na terça

19 de Out de 2026 - 19:00
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Lula diz que entregará autorização para Justiça quebrar seu sigilo na terça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (19) que enviará amanhã a autorização para a quebra de seu sigilo bancário e o de sua família à Justiça Eleitoral. O candidato à reeleição espera que seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), faça o mesmo.

“Vou entregar isso aqui amanhã [documento em mãos] no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o adversário apresente a proposta de abrir o sigilo da sua empresa e de seus negócios, porque é preciso acabar de uma vez por todas com essa história de chamar gente honesta de ladrão”, disse o presidente durante uma agenda de campanha no Rio Grande do Sul.

A iniciativa, segundo Lula, tem como objetivo revelar à sociedade brasileira “quem é ladrão e quem não é”.

“A única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto, que faça como estou fazendo. E eu quero que a Justiça investigue e divulgue para o povo brasileiro saber quem é ladrão e quem não é ladrão.”

Lula disse que o documento contempla a abertura do sigilo bancário dele e de seus cinco filhos.

“Fiz questão de colocar meus cinco filhos, porque sei que, em toda eleição, fazem algo contra minha família. Então, decidi não ficar quieto. Essa é minha última disputa presidencial, então não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo. Isso aqui é em defesa da minha honra, da minha família, porque não podemos ter um ladrão governando esse país”, disse.

Lula ainda questionou a legalidade da compra, à vista, de uma mansão de R$ 10 milhões pelo senador Flávio Bolsonaro, que tem salário mensal bruto de R$ 46,3 mil.

“Eu não posso admitir que fui presidente três vezes, moro em um apartamento comprado em 1998, e não posso aceitar que um cidadão que ganha o mesmo salário que o presidente da República possa comprar uma casa de R$ 10 milhões à vista sem explicar de onde vem o dinheiro.”

O candidato também comentou a postura de seu adversário durante o debate presidencial de segundo turno realizado no último domingo (18) pela Band.

“Todo mundo sabe a vida pregressa dele, todo mundo conhecia minha biografia, sabe a história de cada um. Não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate, com um escrito na mão: ‘corrupto’, porque corrupta é a família dele, é ele”, concluiu.

O coordenador da campanha, Camilo Santana (PT), havia comunicado mais cedo a intenção do presidente de abrir o sigilo bancário, mas sinalizou que a medida estaria condicionada à autorização também de Flávio.

Pesquisas qualitativas do PT (Partido dos Trabalhadores) mostraram que a proposta do presidente de abrir o sigilo de ambos os candidatos ao Palácio do Planalto teria sido um dos “pontos altos” de sua participação no debate.