Pesquisa aponta que 6 em cada 10 brasileiros não confiam no STF
Seis em cada dez brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo pesquisa Atlas Intel/Estadão divulgada nesta terça-feira (22). Apenas 34% afirmam confiar na Corte, o menor índice da série histórica do levantamento iniciada em janeiro de 2023.
O levantamento foi realizado após a sessão do STF da semana passada em que ministros discutiram a possibilidade de abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes por suposta relação com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A análise foi adiada após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
A pesquisa ouviu 1.852 pessoas entre 17 e 21 de setembro, por meio de recrutamento digital. A margem de erro é de 2 pontos percentuais com nível de confiança de 95%.
A queda na confiança ocorre em meio às revelações envolvendo ministros do STF e Daniel Vorcaro, como Moraes, Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Luiz Fux. Todos eles direta ou indiretamente, através de parentes, são citados nas investigações com base em mensagens extraídas do telefone celular do empresário apreendido no ano passado.
Segundo a pesquisa, avaliação negativa dos ministros também registra maioria: 61% dos entrevistados dizem não confiar no trabalho e nos integrantes do STF, enquanto 27,8% afirmam confiar.
A desconfiança chega a 81,9% entre jovens de 16 a 24 anos, 77,9% entre evangélicos e 93,7% entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o índice é de 28,9%.
Na avaliação de nove áreas de atuação do Supremo, a maior rejeição está na imparcialidade dos ministros em julgamentos envolvendo grupos políticos rivais: 75% dos entrevistados classificam esse aspecto como ruim ou péssimo, enquanto 9% consideram ótimo ou bom.
A pesquisa também mediu a confiança em outras instituições, em que o Congresso Nacional registra 81% de desconfiança. Já as polícias Civil (60%), Federal (58%) e Militar (56%) aparecem com os maiores índices de confiança entre as instituições avaliadas.