Presidente do PL critica reforma eleitoral articulada pelo centrão
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou a articulação de partidos do centrão para mudar o sistema eleitoral brasileiro ainda em 2026.
“Somos contra, o povo não vai entender isso nunca. Só é bom para dirigente partidário”, afirmou Valdemar à CNN Brasil, nesta segunda-feira (19).
Dez partidos do centrão negociam uma proposta para substituir o atual sistema proporcional de eleição de deputados federais.
O grupo pretende votar a mudança na primeira semana de novembro, antes da posse dos parlamentares eleitos neste ano, em fevereiro de 2027.
A iniciativa ganhou força depois do avanço do PL nas eleições de 2026. A legenda elegeu 121 deputados federais e terá sua maior bancada desde 1990, ante 99 integrantes eleitos em 2022.
O resultado ampliou a distância entre o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e as siglas de centro, que perderam espaço na Câmara.
A articulação envolve o PSD, o MDB, o Republicanos, o Podemos e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade.
Os dirigentes ainda divergem sobre qual modelo adotar. Uma nova reunião está prevista para 28 de outubro.
Centrão quer reduzir efeito dos puxadores de votos
A mudança busca diminuir a influência dos chamados puxadores de votos, candidatos que recebem votações expressivas e ajudam a eleger outros nomes da mesma legenda.
Entre os exemplos estão o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador paulista Lucas Pavanato (PL-SP), eleito deputado federal em 2026.
No sistema proporcional de lista aberta, utilizado atualmente para eleger deputados federais, estaduais e distritais, os votos recebidos pelos candidatos também contribuem para definir quantas cadeiras cada partido conquista.
A distribuição considera o desempenho das legendas, respeitadas as regras eleitorais, e não apenas a votação individual dos candidatos.
O modelo permite que um candidato com votação expressiva contribua para a eleição de colegas de partido que receberam menos votos. Foi esse mecanismo que favoreceu a ampliação da bancada do PL, segundo a avaliação dos articuladores da reforma.
Distrital misto e distritão estão em discussão
Entre as alternativas discutidas está o voto distrital misto, que combina a eleição de representantes por distritos regionais com a distribuição proporcional de cadeiras entre os partidos.
Nesse modelo, o eleitor vota duas vezes: em um candidato de seu distrito e em uma legenda partidária.
Metade das vagas fica com os candidatos mais votados em cada distrito; a outra metade é distribuída proporcionalmente entre os partidos.
Outra alternativa é o distritão, sistema em que os candidatos com mais votos individuais conquistam as vagas, independentemente do desempenho coletivo de seus partidos.
Nesse formato, a votação de cada candidato determina sua eleição, sem que os votos recebidos pela legenda contribuam para eleger outros integrantes.
As duas propostas também diferem quanto ao caminho legislativo. A adoção do distrital misto depende da análise do texto legal aplicável e da compatibilidade da mudança com a Constituição.
Já o distritão, por substituir o princípio constitucional da representação proporcional nas eleições para deputados, exige uma emenda à Constituição, aprovada em dois turnos por pelo menos três quintos dos deputados e dos senadores.