Seis nomes ligados ao governo Lula são alvos de investigações e ações judiciais

21 de Out de 2026 - 11:50
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Seis nomes ligados ao governo Lula são alvos de investigações e ações judiciais

Seis pessoas que ocuparam cargos importantes no terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são investigadas ou respondem a procedimentos judiciais por suspeitas de crimes, segundo apuração da Folha de S. Paulo publicada nesta quarta-feira (21). Entre os envolvidos estão ex-ministros, um ex-chefe de gabinete presidencial, um ex-presidente do INSS e o atual presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea).

Metade dos casos envolve fatos ocorridos durante o atual mandato, iniciado em 2023, enquanto os demais tratam de suspeitas relacionadas a períodos anteriores. As apurações tramitam em diferentes instâncias da Justiça, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Justiça Federal, e estão em fases distintas, sem que isso signifique condenação dos investigados.

Desde o começo deste terceiro mandato, Lula afirma que integrantes de seu governo que fossem alvos de investigações ou tivessem denúncias comprovadas seriam afastados de seus cargos.

“Quem fizer errado sabe que tem só um jeito, a pessoa será, da forma mais educada possível, convidada a deixar o governo e, se cometeu algo grave, terá que se colocar diante das investigações e da própria Justiça”, disse na primeira reunião ministerial em 6 de janeiro de 2023.

Um dos casos envolve o senador Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, investigado pela compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19. O Consórcio Nordeste, liderado por ele à época, antecipou R$ 48,7 milhões por equipamentos que não foram entregues, e a investigação no STJ apura possíveis irregularidades na operação.

A defesa do senador afirma que a aquisição ocorreu em um contexto emergencial e manifesta interesse em dar celeridade à investigação. O consórcio também tentou recuperar judicialmente o dinheiro pago antecipadamente.

Outro caso de repercussão envolveu o ex-ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de importunação sexual contra a colega Anielle Franco, que comandava o Ministério da Igualdade Racial. A denúncia foi apresentada ao STF em março de 2025, e o processo tramita sob sigilo, sem decisão informada sobre seu recebimento.

Silvio Almeida nega ter cometido crime e afirma ter sido alvo de uma intriga política. Ao comentar as acusações, declarou que Anielle Franco “se perdeu num personagem”.

Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, também foi denunciado pela PGRao STF, em 2025, por suspeitas de corrupção relacionadas ao desvio de emendas parlamentares. Os fatos investigados são anteriores ao período em que ocupou o ministério, e o ex-ministro afirma ser inocente.

Juscelino sustenta que uma denúncia não representa prova de culpa e critica o que considera uma tentativa do Ministério Público de “pautar o país”. Tanto ele quanto Silvio Almeida deixaram seus cargos ministeriais em meio às acusações.

As investigações também alcançam Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A Polícia Federal apura repasses financeiros e o pagamento de despesas pessoais pela lobista Roberta Luchsinger em ligação com um dos filhos de Lula, o empresário Fábio Luís, conhecido como “Lulinha”, que buscava acesso a órgãos públicos e tinha pretensas relações com o governo.

A PF pretende ouvir o ex-assessor em um dos inquéritos sobre suspeita de tráfico de influência. Santana afirma que o dinheiro recebido foi um empréstimo pessoal já quitado.

Outro caso é o de Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), indiciado pela PF por suspeita de participação no escândalo do roubo bilionário a aposentados e pensionistas. Ele foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva e está preso preventivamente.

Stefanutto nega ligação com os recursos investigados, e sua defesa afirma não haver elementos que comprovem seu envolvimento no esquema. Segundo a defesa, a PGR chegou a propor sua soltura.

O sexto nome é Fernando Pimentel, presidente da Emgea, empresa pública responsável pela gestão de ativos. Ele é alvo de uma ação penal sigilosa por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionada a uma investigação policial iniciada em 2015, cujo processo passou por mudanças de competência entre o STF e a Justiça Federal em Brasília. Pimentel sempre negou as acusações.