Supremo avalia anular condenação de Bolsonaro para pacificar relação com Senado

21 de Out de 2026 - 16:30
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Supremo avalia anular condenação de Bolsonaro para pacificar relação com Senado

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) articulam uma possível revisão criminal da sentença de Jair Bolsonaro como estratégia de apaziguamento político. O movimento ocorre em Brasília, nesta quarta-feira (21), diante do favoritismo de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais e da formação de um novo Senado com maioria de direita, que ameaça abrir processos de impeachment contra magistrados.

Como funciona o processo de revisão criminal que pode beneficiar Bolsonaro?

A revisão criminal é um recurso jurídico especial usado quando a defesa acredita que houve um erro grave na Justiça em um caso que já não aceita mais recursos comuns. É como um pedido para reabrir o processo e corrigir falhas. No caso de Bolsonaro, o relator Kassio Nunes Marques deve liberar a ação para julgamento em breve. O tribunal pode decidir anular a sentença, absolver o acusado ou diminuir a pena. O objetivo da defesa é demonstrar que houve problemas processuais ou que as leis foram aplicadas de forma errada, buscando extinguir a punição de 27 anos de prisão imposta anteriormente.

Por que o STF considera essa revisão como um gesto de pacificação política?

Parte dos ministros vê na anulação da condenação um aceno importante a Flávio Bolsonaro, que lidera as intenções de voto. A ideia é evitar um choque direto com o novo Congresso a partir de 2027. O Senado terá muitos parlamentares de direita interessados em afastar ministros como Alexandre de Moraes. Ao rever a situação de Bolsonaro, o STF tenta negociar uma convivência mais harmônica, evitando que o futuro governo e os senadores foquem em medidas extremas contra a Corte. É uma tentativa de trocar uma concessão judicial por estabilidade institucional e proteção aos próprios magistrados.

Quais são os principais argumentos usados pela defesa para anular a sentença?

Os advogados apontam seis falhas fundamentais. Primeiro, dizem que Bolsonaro deveria ter sido julgado pelo grupo completo de ministros (plenário) e não por uma turma menor. Alegam também que recursos foram negados injustamente e que a delação premiada do coronel Mauro Cid não foi voluntária, mas forçada. Além disso, a defesa sustenta que Bolsonaro não usou violência ou ameaça real e que ele estava nos Estados Unidos durante as invasões de 8 de janeiro, o que impediria sua liderança direta no ato. Para os advogados, não houve crime de golpe, mas sim uma interpretação exagerada da lei penal.

Qual é a vantagem de uma revisão judicial em comparação ao indulto presidencial?

Se o próprio tribunal anular a condenação, evita-se um desgaste jurídico futuro. Caso Flávio Bolsonaro assuma a presidência e conceda um indulto (perdão da pena) ao pai, o STF teria que julgar se esse ato é válido, o que geraria uma crise imediata entre os poderes. Muitos ministros consideram inconstitucional perdoar crimes contra a democracia. Portanto, resolver a questão através da revisão criminal — um processo técnico da própria Justiça — limpa o caminho para o novo governo e poupa a Corte de ter que enfrentar o tema do perdão presidencial logo no primeiro dia de uma nova gestão.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.