Títulos do Tesouro disparam até 13% em uma semana e batem Ibovespa

10 de Out de 2026 - 13:10
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Títulos do Tesouro disparam até 13% em uma semana e batem Ibovespa

Os títulos do Tesouro Direto acumulam ganhos expressivos na semana do primeiro turno da eleição presidencial, impulsionados pela queda generalizada das taxas, e os de vencimento mais longo chegam a superar a Bolsa, mesmo após o Ibovespa registrar a melhor semana desde 2020, acima dos 209 mil pontos.

Levantamento do InfoMoney com dados do Tesouro Nacional, da Anbima e da B3, que compara seis títulos prefixados e atrelados à inflação com o Ibovespa entre o fechamento da sexta-feira (2) e o desta sexta (9), mostra o Tesouro IPCA+ 2050 na liderança, com valorização de 13,02%, contra alta de 8,82% do índice. A taxa de mercado do papel recuou de IPCA + 7,14% para IPCA + 6,60% na última semana.

O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 e o IPCA+ 2040, que completam o trio de vencimentos mais longos, também superam o Ibovespa, ao passo que os papéis mais curtos ganham menos que o índice.

Com a valorização da semana, as taxas dos títulos ficam bem abaixo das registradas antes da eleição. No fechamento oficial do Tesouro Direto desta sexta, as taxas para quem investe, que diferem ligeiramente das referências de mercado usadas no levantamento, ficam entre IPCA + 6,55% e IPCA + 6,68% ao ano nos títulos atrelados à inflação e entre 12,31% e 12,51% nos prefixados.

InvestimentoVariação da taxaValorização na semanaQuanto viram R$ 10 mil
Tesouro IPCA+ 2050-0,53 ponto+13,02%R$ 11.302
Tesouro Prefixado c/ Juros Semestrais 2037-1,79 ponto+10,32%R$ 11.032
Tesouro IPCA+ 2040-0,66 ponto+9,30%R$ 10.930
Ibovespa–+8,82%R$ 10.882
Tesouro Prefixado 2032-1,72 ponto+8,46%R$ 10.846
Tesouro IPCA+ 2032-0,88 ponto+5,28%R$ 10.528
Tesouro Prefixado 2029-1,50 ponto+3,23%R$ 10.323
Fechamento de 02/10 a 09/10/2026, com dados do Tesouro Nacional, da Anbima e da B3 e cálculos do InfoMoney. Valores brutos, por marcação a mercado, e Ibovespa sem dividendos.

O resultado, porém, mede a valorização de quem já tinha os títulos antes da eleição, só se concretiza se o papel for vendido, e só vale ao olhar para ganhos brutos. Ao considerar a compra numa sexta e venda na seguinte, a conta incluiria um preço de compra mais alto, IOF regressivo, que consome mais de três quartos do rendimento nesse prazo, e Imposto de Renda de 22,5%. Ao considerar esses elementos, a Bolsa ficaria na frente com folga.

Analistas lembram ainda que o movimento se apoia em expectativas sobre o desfecho da eleição. “Mas é sempre bom ressaltar que o mercado está precificando uma expectativa, não uma política econômica já apresentada”, ressalta Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos.

Nos títulos públicos, preço e taxa andam em sentidos opostos, e quanto mais distante o vencimento, maior a sensibilidade do preço a cada variação da taxa. Por isso o IPCA+ 2050 lidera o ranking mesmo com a menor queda de taxa entre os seis títulos, enquanto o Prefixado 2029, de prazo mais curto, entrega a menor valorização do grupo apesar de um dos maiores recuos de taxa da semana.

“É ali que está uma parcela importante do prêmio relacionado à trajetória da dívida pública, aos déficits primários e à percepção de risco fiscal”, explica Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos.

Entre os prefixados, o destaque é o título com juros semestrais de 2037, cuja taxa cai de 14,28% na sexta (2) para 12,50% nesta sexta. A mesma sensibilidade que turbina os papéis longos nesta semana funciona no sentido contrário quando as taxas sobem, gerando perdas de magnitude semelhante para quem precisar vender antes do vencimento.

Bolsa sai na frente, mas perde fôlego

A segunda-feira (5), primeiro pregão após a votação, concentra a maior parte do movimento, com o Ibovespa subindo 7,7% e apenas o IPCA+ 2050 avançando mais que a Bolsa entre os títulos do Tesouro naquela sessão.

Fechamento de 02/10 a 09/10/2026, com dados do Tesouro Nacional, da Anbima e da B3 e cálculos do InfoMoney. Valores brutos, por marcação a mercado, e Ibovespa sem dividendos.

Nos dias seguintes, enquanto a Bolsa devolve parte dos ganhos na terça (6) e na quarta (7), os títulos longos se mantêm perto das máximas ou seguem subindo, o que leva o Prefixado com Juros Semestrais 2037 e o IPCA+ 2040 a ultrapassarem o índice no meio da semana. Na quinta (8) e na sexta, Bolsa e títulos voltam a subir juntos, mas a recuperação do Ibovespa não basta para alcançar os três líderes.

Em relatório, estrategistas do JPMorgan elevaram a recomendação para os juros locais de neutra para overweight (equivalente a compra), avaliando que o rali após o primeiro turno foi bem mais forte que o esperado, mas ainda tem fôlego. “Os níveis estão longe do ideal, mas o momentum é forte e o posicionamento, relativamente limpo”, diz o banco.

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