Trump diz que está acompanhando as eleições presidenciais no Brasil 'muito de perto'
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- Role, Da BBC News Brasil em Londres
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O presidente dos Estados Unidos, , afirmou nesta quinta-feira (1/10) que está acompanhando "muito de perto" as . O republicano disse ainda que o país e a disputa presidencial atual são muito importantes.
"O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante", disse Trump, após ser questionado por uma repórter na Casa Branca.
Antes, ao ser questionado se estava seguindo a eleição, ele respondeu que estava acompanhando "muito de perto".
A declaração acontece a três dias do primeiro turno e em meio ao
Na fala desta quinta, Trump não declarou apoio a nenhum dos candidato, mas o presidente americano já manifestou, em diversas ocasiões e por meio de medidas nos últimos anos, sua proximidade com a família Bolsonaro.
Na semana passada, a campanha do presidente pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma investigação sobre uma possível ingerência dos EUA na eleição brasileira.
A campanha de Lula também pediu a cassação da chapa de afirmando que o senador se articulou com o governo Trump para impactar o resultado das eleições, violando a soberania nacional.
Em 17 de setembro, Flávio já havia negado categoricamente que estivesse recebendo ajuda do governo americano: "Não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar, desculpa. Quem resolve a eleição é a gente aqui."
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
O pedido ocorreu dias após a divulgação, pela Folha de São Paulo, de um documento em que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou a possibilidade de interferência dos EUA na eleição ao "nível de criticidade".
Segundo a Abin, Washington busca fragilizar o governo Lula por enxergá-lo como resistente à ambição dos EUA de exercer uma hegemonia na América Latina. Hoje o Brasil tem como principal parceira comercial a China, uma grande rival dos EUA.
Flávio Bolsonaro tem dito que pretende se aproximar dos EUA se for eleito e visitou Trump em maio. Dois dias depois da visita, os EUA anunciaram que as facções PCC e Comando Vermelho seriam classificadas como organizações terroristas pelo governo americano.
A medida foi festejada por Flávio e criticada por Lula, para quem a classificação abria as portas para uma intervenção americana no país.
Em conversas reservadas com a BBC, assessores do governo citaram outro exemplo do que consideram uma tentativa de interferência dos EUA na eleição: a divulgação, em 15 de setembro, de um relatório do Departamento de Estado americano com críticas ao desempenho do governo brasileiro no combate a facções criminosas.
As críticas se alinham com o discurso de Flávio e miram um setor considerado pelo próprio governo como um calcanhar de Aquiles.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira (22/9), Lula reagiu. Ele criticou a "ingerência externa em processos eleitorais" e disse que o "Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado", mas que o país não vai "terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras".
Afirmou ainda que o "Brasil não cabe no quintal de ninguém".
Relação estremecida
Outro documento, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 17 de setembro, detalha uma série de exigências que os EUA teriam apresentado ao Brasil como condição para reduzir as tarifas comerciais impostas ao país no ano passado.
Entre os pontos listados estaria a participação de "dissidentes políticos" nas eleições brasileiras. A expressão é normalmente utilizada pelos EUA para se referir a opositores de regimes considerados ditatoriais.
O documento, segundo a reportagem, não cita nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado e hoje inelegível. Em outras ocasiões, porém, o governo Trump criticou a condenação de Bolsonaro e classificou o processo contra o ex-presidente como uma perseguição política.
De acordo com O Estado de S. Paulo, o governo brasileiro se recusou a negociar esse ponto com os EUA.
As divergências entre os dois países não se deram só no âmbito de negociações comerciais. Nos últimos meses, os EUA também adotaram sanções contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro do STF Alexandre de Moraes e delegados da Polícia Federal envolvidos em investigações de bolsonaristas.
Em agosto, Washington também revogou o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti, uma medida inédita na relação entre os dois países. Segundo o governo americano, a decisão ocorreu como retaliação à demora do Brasil em aprovar a indicação do novo embaixador dos EUA em Brasília.
O Brasil, por sua vez, se recusou a conceder vistos a dois diplomatas americanos após uma reportagem do jornal The Washington Post apontar que eles fariam questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. O governo dos EUA negou a intenção.
*Com informações da reportagem de João Fellet e Leandro Prazeres, da BBC News em São Paulo e Brasília